HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2022
Lactente de 4 meses de vida é levado a UPA com história de obstrução nasal, coriza clara e tosse há 4 dias. Há 1 dia houve piora do quadro com tosse mais intensa, dificuldade para respirar e respiração rápida. Nega febre, sonolência, gemência ou apneia. Mãe refere que a criança nasceu de termo, por cesariana, e nega doenças anteriores. Negou também sintomáticos respiratórios em casa. Ao exame, o lactente está em bom estado geral, acianótico, hidratado, ativo, FR: 66 ipm e discreta tiragem intercostal. SatO2: 95%. À ausculta pulmonar, apresenta murmúrio vesicular presente e sibilos bilateralmente. O teste RT-PCR de swab nasal para Covid-19 colhido hoje apresentou resultado negativo. Entre as seguintes propostas terapêuticas, a melhor para este caso é:
Bronquiolite em lactente (viral) → medidas de suporte e inalação com soro fisiológico.
O quadro clínico é típico de bronquiolite viral aguda em lactente (idade, pródromos virais, sibilância, taquipneia, tiragem discreta, SatO2 > 90%). O tratamento é primariamente de suporte, com higiene nasal e hidratação, e inalação com soro fisiológico pode auxiliar na desobstrução das vias aéreas.
A bronquiolite viral aguda é uma infecção respiratória comum em lactentes, principalmente nos primeiros dois anos de vida, causada mais frequentemente pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Caracteriza-se por inflamação e edema das pequenas vias aéreas, levando à obstrução e sibilância. A epidemiologia mostra picos sazonais, sendo uma das principais causas de internação hospitalar em pediatria. O diagnóstico é clínico, baseado na idade do paciente, pródromos de infecção de vias aéreas superiores e achados de sibilância e esforço respiratório. A fisiopatologia envolve a necrose do epitélio bronquiolar e a produção de muco, resultando em aprisionamento de ar e atelectasias. A saturação de oxigênio é um parâmetro importante para avaliar a gravidade, mas valores acima de 90-92% geralmente indicam boa oxigenação. O tratamento da bronquiolite é essencialmente de suporte, incluindo hidratação adequada, higiene nasal com soro fisiológico para desobstrução e, se necessário, oxigenoterapia. Não há evidências robustas para o uso rotineiro de broncodilatadores, corticoides ou antibióticos, a menos que haja suspeita de coinfecção bacteriana ou outras condições subjacentes. A inalação com soro fisiológico hipertônico pode ser considerada em alguns casos, mas a inalação com soro fisiológico isotônico é uma medida simples e eficaz para higiene nasal.
Os sintomas incluem obstrução nasal, coriza clara, tosse, taquipneia, sibilância (chiado no peito), tiragem intercostal e, em casos mais graves, dificuldade para mamar e irritabilidade. Geralmente, há um pródromo de infecção de vias aéreas superiores.
A bronquiolite é uma doença viral autolimitada, e não há tratamento específico que cure a infecção. As medidas de suporte visam aliviar os sintomas, manter a hidratação e a oxigenação adequadas, e prevenir complicações, permitindo que o sistema imune da criança combata o vírus.
Broncodilatadores e corticoides não são recomendados rotineiramente para a bronquiolite. Podem ser considerados em casos selecionados, como história familiar de asma ou resposta prévia a broncodilatadores, mas sua eficácia é limitada e individualizada, não sendo a primeira linha de tratamento.
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