Bronquiolite Viral Aguda: Diagnóstico e Sinais de Gravidade

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Menina, 2m, é trazida ao Pronto Socorro com história de coriza e tosse há cinco dias, com dois episódios de febre no primeiro dia. Mãe refere que há dois dias a criança apresenta dificuldade para mamar e falta de ar. Nega doenças e uso de medicamentos. Exame físico: regular estado geral, FR=71irpm; FC=165bpm; PA=82/50mmHg; oximetria de pulso=90% (cateter nasal com 2L O2/min); batimento de aletas nasais; retração de fúrcula; retração subcostal moderada; pulsos cheios; enchimento capilar=2 segundos; pulmões: murmúrio vesicular presente com sibilos expiratórios. Radiograma de tórax (imagem Q30)O DIAGNÓSTICO ETIOLÓGICO MAIS PROVÁVEL É:

Alternativas

Pérola Clínica

Lactente < 2 anos com primeiro episódio de sibilância precedido por IVAS → pensar em Bronquiolite Viral Aguda (VSR).

Resumo-Chave

A bronquiolite é uma inflamação dos bronquíolos, comum em lactentes, causada principalmente pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR). O diagnóstico é clínico, baseado na história de pródromos virais (coriza, tosse) seguidos de desconforto respiratório e sibilância.

Contexto Educacional

A Bronquiolite Viral Aguda (BVA) é a infecção do trato respiratório inferior mais comum em lactentes, sendo a principal causa de hospitalização em crianças menores de 1 ano. O agente etiológico mais frequente é o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), embora outros vírus como rinovírus e metapneumovírus também possam causá-la. A doença tem um padrão sazonal, com picos de incidência no outono e inverno. A fisiopatologia envolve a inflamação, edema e necrose das células epiteliais dos bronquíolos, levando à obstrução das pequenas vias aéreas, aprisionamento de ar e formação de atelectasias. O diagnóstico é eminentemente clínico, caracterizado por um pródromo de infecção de vias aéreas superiores (coriza, tosse, febre baixa) que evolui em poucos dias para taquipneia, tiragens, sibilância e estertores crepitantes. O tratamento da BVA é de suporte, focado em garantir oxigenação e hidratação adequadas. As principais medidas incluem oxigenoterapia para manter a saturação acima de 90-92%, desobstrução nasal e suporte hídrico e nutricional. O uso rotineiro de broncodilatadores, corticoides e antibióticos não é recomendado pela maioria das diretrizes atuais, pois não alteram o curso da doença.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de gravidade na bronquiolite?

Sinais de gravidade incluem taquipneia intensa (FR > 60-70 irpm), uso de musculatura acessória (tiragem subcostal, intercostal, de fúrcula), batimento de aletas nasais, gemência, cianose, hipoxemia (SatO2 < 90-92%), e recusa alimentar ou sinais de desidratação.

Qual a conduta inicial para um lactente com bronquiolite e hipoxemia?

A conduta inicial é baseada em medidas de suporte: ofertar oxigênio suplementar para manter SatO2 > 90-92%, garantir hidratação (oral ou intravenosa se necessário), e realizar desobstrução nasal com soro fisiológico para facilitar a amamentação e a respiração.

Como diferenciar bronquiolite de uma crise de asma do lactente?

A bronquiolite é tipicamente o primeiro episódio de sibilância em um lactente menor de 2 anos, precedido por sintomas de IVAS. A asma é mais provável em crianças com episódios recorrentes de sibilância, história familiar de atopia e boa resposta a broncodilatadores.

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