HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2017
Paciente de 9 meses de idade, sexo masculino, foi trazido ao pronto-socorro com queixa de tosse, coriza e chiado há 3 dias, com piora há um dia. Mãe refere baixa aceitação alimentar associada ao quadro. Nascido de parto normal, a termo, sem intercorrências neonatais. Exame físico: regular estado geral; afebril; corado; desidratado de algum grau. Frequência cardíaca = 140 bpm; frequência respiratória = 70 irpm; saturação em ar ambiente = 89%. Coração: bulhas rítmicas normofonéticas, sem sopros. Pulmões: murmúrio vesicular presente, bilateralmente, com sibilos difusos, retração subdiafragmática e de fúrcula. Foi realizada radiografia de tórax, reproduzida a seguir: (VER IMAGEM) Qual é a principal hipótese diagnóstica e a conduta adequada para o caso?
Lactente < 1 ano com quadro viral, chiado, desconforto respiratório e hipoxemia → Bronquiolite grave, internação, O2 e hidratação.
O quadro clínico (lactente, tosse, coriza, chiado, FR 70 irpm, SatO2 89%, retração) é clássico de bronquiolite viral aguda grave. A conduta inicial é suporte: internação, oxigenoterapia para hipoxemia e hidratação, pois broncodilatadores e corticoides não são rotineiramente indicados.
A bronquiolite viral aguda é uma infecção respiratória comum em lactentes e crianças pequenas, causada principalmente pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Caracteriza-se por inflamação e obstrução das pequenas vias aéreas, levando a chiado, tosse e desconforto respiratório. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na idade (geralmente < 2 anos), quadro viral prévio e achados do exame físico. A gravidade da bronquiolite é determinada por sinais como taquipneia acentuada, tiragem, cianose, hipoxemia (saturação de oxigênio < 90-92% em ar ambiente) e dificuldade para se alimentar. Pacientes com esses sinais, especialmente lactentes jovens, devem ser internados. A radiografia de tórax não é diagnóstica e é reservada para casos atípicos ou suspeita de complicações. O tratamento da bronquiolite é primariamente de suporte, focando em oxigenoterapia para corrigir a hipoxemia e hidratação adequada para prevenir a desidratação. Não há evidências consistentes para o uso rotineiro de broncodilatadores, corticoides sistêmicos ou antibióticos, a menos que haja suspeita de infecção bacteriana secundária. A fisioterapia respiratória também tem papel limitado e não é recomendada de rotina.
A bronquiolite geralmente começa com sintomas de infecção de vias aéreas superiores (tosse, coriza) e evolui para desconforto respiratório com taquipneia, sibilância, tiragem e, em casos graves, hipoxemia.
A conduta inicial é a internação hospitalar, oxigenoterapia para manter a saturação > 90-92%, hidratação adequada (oral ou intravenosa) e suporte nutricional. Broncodilatadores e corticoides não são recomendados de rotina.
A radiografia de tórax não é rotineiramente indicada para o diagnóstico de bronquiolite, mas pode ser útil para excluir outras condições ou avaliar complicações. Pode mostrar hiperinsuflação pulmonar, espessamento peribrônquico e atelectasias laminares.
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