IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2025
Lactente de 4 meses de idade apresenta história de febre, respiração rápida, tiragem subcostal, broncoespasmo e sibilos expiratórios. RX de tórax com hiper insuflação pulmonar e retificação dos arcos intercostais. Qual a hipótese diagnóstica provável?
Lactente <1a + sibilância + desconforto respiratório + hiperinsuflação RX → Bronquiolite.
A bronquiolite é uma infecção viral comum em lactentes, caracterizada por inflamação e obstrução das pequenas vias aéreas. A apresentação clínica típica inclui sibilância, taquipneia e sinais de desconforto respiratório, com achados radiográficos de hiperinsuflação.
A bronquiolite viral aguda é uma das infecções respiratórias mais comuns em lactentes, sendo a principal causa de hospitalização em crianças menores de um ano. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é o agente etiológico mais frequente, responsável por 50-80% dos casos. A fisiopatologia envolve a inflamação e necrose das células epiteliais das pequenas vias aéreas, levando a edema, produção de muco e acúmulo de detritos celulares, resultando em obstrução parcial ou completa dos bronquíolos. Isso causa aprisionamento de ar (hiperinsuflação) e aumento da resistência ao fluxo aéreo, manifestando-se clinicamente como sibilância e desconforto respiratório. O diagnóstico da bronquiolite é essencialmente clínico, baseado na história de pródromos virais seguidos por tosse, taquipneia, sibilância e sinais de esforço respiratório em lactentes, especialmente aqueles com menos de 12 meses. O raio-X de tórax, embora não seja necessário para o diagnóstico de rotina, pode mostrar hiperinsuflação pulmonar, retificação dos arcos costais e, por vezes, infiltrados peribrônquicos ou atelectasias laminares. Estes achados radiográficos são consistentes com a obstrução das pequenas vias aéreas e o aprisionamento de ar. O manejo da bronquiolite é predominantemente de suporte, visando manter a oxigenação e hidratação adequadas. A decisão de hospitalização baseia-se na gravidade do desconforto respiratório, idade (menores de 3 meses são mais vulneráveis), presença de comorbidades e capacidade dos cuidadores. É crucial diferenciar a bronquiolite de outras causas de sibilância em lactentes, como asma ou aspiração de corpo estranho, para evitar tratamentos desnecessários ou inadequados.
O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é a principal causa da bronquiolite, especialmente em lactentes. A doença geralmente começa com pródromos de infecção de vias aéreas superiores (IVAS), como rinorreia e tosse leve, seguidos por tosse persistente, taquipneia, sibilância, crepitações e sinais de desconforto respiratório, como tiragem subcostal e batimento de asa nasal. A febre é comum, e o pico da doença ocorre tipicamente entre o 3º e 5º dia.
A bronquiolite tipicamente apresenta sibilância proeminente, taquipneia e, no raio-X de tórax, hiperinsuflação pulmonar com retificação dos arcos costais, podendo haver infiltrados peribrônquicos ou atelectasias laminares. A pneumonia bacteriana, por sua vez, cursa com febre alta persistente, tosse produtiva e, no raio-X, consolidações lobares ou broncopneumonia. A sibilância é menos comum ou ausente na pneumonia bacteriana, que frequentemente apresenta estertores crepitantes localizados.
O tratamento da bronquiolite viral aguda é primariamente de suporte. Os pilares incluem hidratação adequada (oral ou intravenosa), oxigenoterapia se a saturação de oxigênio for persistentemente inferior a 90-92%, aspiração de vias aéreas superiores para desobstrução nasal e monitorização cuidadosa dos sinais vitais e do esforço respiratório. Broncodilatadores, corticoides sistêmicos e antibióticos não são rotineiramente recomendados, pois não demonstraram benefício significativo na maioria dos casos de bronquiolite viral.
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