SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2020
Lactente de 8 meses, sexo masculino, é admitido em serviço de emergência com relato de estar ""muito cansado"". A mãe relata que há 5 dias paciente começou a apresentar rinorreia hialina, tosse e febre baixa, porém, mantendo bom estado geral. Há 1 dia, piora progressiva, evoluindo com desconforto respiratório. Ao exame físico, paciente em regular estado geral, desidratação leve, taquipneico (FR: 56 irpm), com tiragem subcostal, afebril ao toque, acianótico, anictérico, corado. À ausculta respiratória síbilos difusos. Saturação: 93% em ar ambiente. Mãe nega episódio semelhante previamente, bem como uso de beta 2 agonista inalatório, corticoide e antibióticos. Baseando-se em sua principal hipótese diagnóstica, qual deveria ser a terapia inicialmente instituída?
Bronquiolite viral em lactente com desconforto respiratório e hipoxemia → Oxigenioterapia e suporte ventilatório.
O quadro clínico de lactente com rinorreia, tosse, febre baixa evoluindo para desconforto respiratório e síbilos difusos, com saturação de 93%, é altamente sugestivo de bronquiolite viral. A conduta inicial foca em suporte, principalmente oxigenioterapia para hipoxemia e, se necessário, suporte ventilatório.
A bronquiolite viral aguda é a principal causa de infecção do trato respiratório inferior em lactentes e crianças pequenas, sendo o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) o agente etiológico mais comum. Caracteriza-se por inflamação, edema e necrose do epitélio das pequenas vias aéreas, levando à obstrução e aprisionamento de ar. O quadro clínico típico envolve pródromos de infecção de vias aéreas superiores, seguidos por tosse, taquipneia, tiragem, sibilos e crepitações, podendo evoluir para hipoxemia e desconforto respiratório grave. O diagnóstico é clínico, baseado na idade do paciente (geralmente < 2 anos), na apresentação sazonal e nos achados do exame físico. A avaliação da gravidade é crucial, observando a frequência respiratória, presença de tiragens, nível de consciência, hidratação e, principalmente, a saturação de oxigênio. A hipoxemia (saturação < 90-92% em ar ambiente) é um indicador de gravidade e a principal razão para internação. O tratamento da bronquiolite é essencialmente de suporte. Isso inclui hidratação adequada (oral ou intravenosa), desobstrução das vias aéreas superiores (lavagem nasal com soro fisiológico e aspiração), e o pilar do tratamento: a oxigenioterapia para corrigir a hipoxemia. Em casos de desconforto respiratório progressivo ou falha da oxigenioterapia, o suporte ventilatório (CPAP nasal, ventilação não invasiva ou invasiva) pode ser necessário. É importante ressaltar que broncodilatadores, corticoides e antibióticos não são recomendados de rotina, pois não alteram o curso da doença e podem trazer efeitos adversos.
A bronquiolite viral geralmente começa com sintomas de resfriado (rinorreia, tosse, febre baixa), evoluindo para desconforto respiratório, taquipneia, tiragem, sibilos e, em casos mais graves, hipoxemia.
A conduta inicial para um lactente com bronquiolite e saturação de oxigênio abaixo de 90-92% (dependendo do protocolo) é a oxigenioterapia. Em casos de desconforto respiratório grave ou falha da oxigenioterapia, o suporte ventilatório pode ser necessário.
Broncodilatadores e corticoides não são rotineiramente indicados porque a bronquiolite é uma doença viral que causa inflamação e edema das pequenas vias aéreas, e não broncoespasmo significativo como na asma. Estudos mostram pouco benefício e potenciais efeitos adversos.
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