SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026
Um lactente de sete meses de vida, previamente saudável, foi levado ao pronto atendimento por apresentar tosse há três dias, piora progressiva da respiração e queda da aceitação alimentar. Ao exame físico, o paciente mostrou-se alerta, porém cansado, FC= 156 bpm, FR = 58 irpm, SpO₂=92%, temperatura = 37,6°C. Ausculta pulmonar com sibilos difusos e tiragens intercostais leves. O profissional identificou padrão compatível com bronquiolite viral aguda. Com base no quadro clínico apresentado, qual conduta é a mais adequada na abordagem inicial desse paciente?
Bronquiolite = Suporte (O2 + Hidratação). Evite: Corticoides, Broncodilatadores e Antibióticos.
O manejo da bronquiolite viral aguda é baseado em medidas de suporte, principalmente oxigenoterapia se a saturação estiver baixa e hidratação, evitando intervenções sem evidência de benefício.
A bronquiolite viral aguda (BVA) é a infecção das vias aéreas inferiores mais comum em lactentes menores de 2 anos, sendo o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) o principal agente. O diagnóstico é eminentemente clínico, caracterizado por pródromos virais seguidos de sibilância, taquipneia e sinais de desconforto respiratório.\n\nAs evidências atuais reforçam o 'minimal handling'. O tratamento foca na manutenção da oxigenação e do estado volêmico (nutrição enteral ou hidratação venosa se necessário). O uso de nebulização com solução salina hipertônica pode ser considerado em pacientes hospitalizados, mas o uso de broncodilatadores (como salbutamol) e corticoides é formalmente contraindicado de rotina pelas principais diretrizes (AAP, NICE, SBP).
As diretrizes variam levemente, mas a maioria recomenda oxigênio suplementar se a saturação de oxigênio (SpO2) permanecer persistentemente abaixo de 90% a 92% em ar ambiente. No contexto de provas de residência, o valor de 94% é frequentemente citado como limite para monitorização e intervenção em pacientes com sinais de desconforto respiratório moderado.
Estudos multicêntricos demonstraram que o uso de corticosteroides (seja oral, venoso ou inalatório) não reduz a taxa de hospitalização, não melhora os escores clínicos e não diminui o tempo de internação na bronquiolite viral aguda, pois a fisiopatologia envolve edema de mucosa e debris celulares, não broncoespasmo responsivo a esteroides.
Antibióticos só devem ser prescritos se houver evidência clara de infecção bacteriana secundária associada, como otite média aguda ou pneumonia bacteriana confirmada. A febre baixa e o infiltrado radiológico inespecífico são comuns na bronquiolite viral e não justificam o uso de antimicrobianos.
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