UNIRIO/HUGG - Hospital Universitário Gaffrée e Guinle - Rio de Janeiro (RJ) — Prova 2019
Lactente com 6 meses de idade é levado à UPA com história de dificuldade respiratória há menos de 6 horas. A criança estava com tosse discreta e coriza há dois dias e vinha recebendo sintomáticos. Não apresenta história patológica pregressa nem intercorrências perinatais. O exame físico mostra uma criança afebril, eutrófica, hidratada e corada. Apresenta dispneia leve com frequência respiratória de 52 incursões por minuto. Pulmões com sibilos difusos e aumento do tempo expiratório. Bulhas normais sem sopros. Abdome globoso, flácido e com fígado a 1 cm do rebordo costal direito. Radiografia de tórax com hiperinsuflação pulmonar bilateral e infiltrado intersticial discreto. Hemograma inocente com PCR normal. Gasometria arterial: PH = 7,40; PO2 = 56; PCO2 = 37; BE = - 0,2; HCO3 = 24; SaO2 = 90%. O tratamento inicial indicado para este paciente é
Bronquiolite viral aguda em lactentes com hipoxemia → oxigenioterapia e hidratação são pilares do tratamento.
Em lactentes com bronquiolite viral aguda e hipoxemia (SaO2 < 90-92%), a oxigenioterapia é crucial para manter a saturação adequada. A hidratação é fundamental, especialmente em pacientes com taquipneia que podem ter dificuldade para se alimentar e risco de desidratação.
A bronquiolite viral aguda (BVA) é uma infecção respiratória comum em lactentes e crianças pequenas, caracterizada por inflamação e obstrução das pequenas vias aéreas. É a principal causa de hospitalização por doença respiratória em crianças menores de um ano, com pico de incidência entre 2 e 6 meses de idade. A compreensão de seu manejo é crucial para residentes de pediatria e emergência. A fisiopatologia envolve edema, necrose epitelial e acúmulo de muco nas pequenas vias aéreas, levando a sibilância, taquipneia e, em casos graves, hipoxemia. O diagnóstico é clínico, baseado na idade, sintomas (tosse, coriza, sibilância) e exame físico. A radiografia de tórax pode mostrar hiperinsuflação e infiltrado intersticial, mas não é necessária para o diagnóstico de rotina. A gasometria arterial pode revelar hipoxemia. O tratamento da BVA é primariamente de suporte. A oxigenioterapia é indicada para manter a saturação de oxigênio acima de 90-92%. A hidratação adequada é essencial, seja oral ou intravenosa, para prevenir a desidratação, especialmente em crianças taquipneicas. Não há evidências robustas para o uso rotineiro de broncodilatadores, corticoides ou antibióticos, a menos que haja suspeita de coinfecção bacteriana.
Sinais de gravidade incluem hipoxemia (SaO2 < 90-92%), apneia, dificuldade respiratória grave, desidratação e incapacidade de se alimentar adequadamente.
Estudos mostram que broncodilatadores e corticoides não alteram o curso da doença na maioria dos casos de bronquiolite viral aguda e podem ter efeitos adversos, sendo o tratamento de suporte o mais eficaz.
O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é o principal agente etiológico da bronquiolite viral aguda, responsável pela maioria dos casos.
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