FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025
Lactente de 2 meses de idade, admitido pela sala vermelha da emergência pediátrica do Hospital com história de febre baixa de início há 3 dias, associado a tosse e coriza nasal. Evolui nas últimas 24 horas com dificuldade alimentar e aumento do trabalho respiratório, o que fez a mãe a procurar o pronto atendimento. Ao exame físico: REG, corado, desidratado 1+/4+, acianótico e afebril. Ausculta cardíaca: Bulhas rítmicas, normofonéticas sem sopros, FC: 155 bpm PA: 75 × 40 mmHg. Ausculta pulmonar: murmúrio vesicular presente bilateralmente com crepitações e sibilos difusos, retrações sub e intercostais moderadas, FR: 62 ipm Sat O₂: 89% om ar ambiente. A hipótese diagnóstica é:
Lactente < 2 anos + Pródromo viral + Sibilos/Taquipneia → Bronquiolite.
A bronquiolite viral aguda é um diagnóstico clínico em lactentes. O tratamento é de suporte, focando em oxigenação e hidratação; broncodilatadores e corticoides não são recomendados rotineiramente.
A bronquiolite viral aguda é a causa mais comum de hospitalização em lactentes no primeiro ano de vida, sendo o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) o principal agente etiológico. A doença é sazonal e altamente contagiosa. A gravidade varia desde quadros leves autolimitados até insuficiência respiratória grave exigindo UTI. Os critérios de internação incluem sinais de desconforto respiratório moderado a grave, hipoxemia, desidratação ou incapacidade de manter ingestão oral, e idade muito jovem (especialmente < 2 meses ou prematuros), devido ao maior risco de apneia. O manejo clínico rigoroso e a observação da evolução nas primeiras 48-72 horas (pico da doença) são essenciais para o prognóstico favorável.
O diagnóstico da bronquiolite viral aguda é eminentemente clínico. Ele deve ser suspeitado em lactentes (geralmente menores de 2 anos, com pico entre 2 e 6 meses) que apresentam um quadro inicial de infecção de vias aéreas superiores (coriza, tosse, febre baixa) que evolui após 2 a 3 dias com sinais de comprometimento das vias aéreas inferiores, como taquipneia, sibilos, estertores finos e sinais de esforço respiratório (tiragem subcostal, batimento de asa de nariz). Exames de imagem como o raio-X de tórax não são necessários rotineiramente, a menos que haja suspeita de complicações como pneumotórax ou pneumonia bacteriana secundária.
O tratamento da bronquiolite viral aguda baseia-se em medidas de suporte. A prioridade é manter a oxigenação adequada (alvo de SatO2 > 90-92%) através de cateter de oxigênio, máscara ou, em casos graves, ventilação não invasiva ou cânula nasal de alto fluxo. A hidratação deve ser garantida, preferencialmente por via oral, mas se houver desconforto respiratório grave que impeça a alimentação segura, a via intravenosa ou sonda nasogástrica é indicada. A limpeza das fossas nasais com soro fisiológico é fundamental para reduzir a resistência das vias aéreas superiores em lactentes, que são respiradores nasais preferenciais.
Estudos multicêntricos demonstraram que o uso de corticoides (orais ou inalatórios) e broncodilatadores (como o salbutamol) não reduz a taxa de hospitalização nem o tempo de internação na bronquiolite viral aguda. A fisiopatologia da doença envolve edema da mucosa, hipersecreção de muco e necrose epitelial dos bronquíolos, e não o broncoespasmo mediado por músculo liso (como na asma). Portanto, essas medicações não são recomendadas rotineiramente. O uso de solução salina hipertônica inalada pode ser considerado em pacientes hospitalizados, mas seu benefício ainda é alvo de debates.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo