IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2026
Lactente do sexo masculino com 2 meses chega à unidade de emergência trazido pela mãe, que se queixa de que o bebê se encontra com coriza e cansaço para mamar há dois dias. Nega febre ou sintomas associados. Ao exame físico, a criança está normocorada e hidratada, tendo ausculta pulmonar com sibilos difusos e esforço respiratório leve a moderado, com saturação periférica de oxigênio de 95%. A melhor orientação para o caso é:
Bronquiolite leve (SpO2 ≥ 94%, sem esforço grave) → Lavagem nasal + hidratação + vigilância domiciliar.
O tratamento da bronquiolite viral aguda é essencialmente de suporte; broncodilatadores e antibióticos não são recomendados rotineiramente.
A Bronquiolite Viral Aguda (BVA) é a principal causa de hospitalização em lactentes menores de 1 ano, sendo o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) o agente mais comum. O quadro clínico inicia-se como um resfriado comum que evolui para sibilância e graus variáveis de esforço respiratório. Atualmente, as diretrizes internacionais (AAP) e nacionais (SBP) enfatizam o tratamento de suporte: higiene nasal, hidratação e oxigenoterapia se necessário. O uso de medicações como corticoides, antibióticos e nebulizações com adrenalina ou salbutamol é desencorajado pela falta de evidência de benefício clínico na maioria dos pacientes, reservando-se intervenções mais agressivas para casos graves ou com complicações.
A internação deve ser considerada em lactentes com sinais de desconforto respiratório moderado a grave (tiragens, batimento de asa de nariz), saturação de oxigênio persistentemente abaixo de 90-92% em ar ambiente, desidratação ou incapacidade de manter hidratação oral, e em casos de apneia presenciada. Lactentes jovens (menores de 3 meses) ou com comorbidades (cardiopatias, prematuridade) têm menor limiar para internação devido ao maior risco de progressão rápida da doença.
Estudos clínicos e metanálises demonstram que o uso de broncodilatadores, como o salbutamol, não altera o curso da doença, não reduz a taxa de internação nem o tempo de permanência hospitalar na bronquiolite viral aguda. A fisiopatologia da doença envolve edema de mucosa e acúmulo de debris celulares na via aérea, e não broncoespasmo mediado por musculatura lisa, o que explica a baixa responsividade a esses fármacos. O uso pode ser tentado em casos selecionados, mas deve ser descontinuado se não houver melhora clínica objetiva.
Lactentes pequenos são respiradores nasais preferenciais. Na bronquiolite, a obstrução nasal por secreção é um dos principais fatores que contribuem para o desconforto respiratório e a dificuldade de amamentação. A lavagem nasal frequente com soro fisiológico e a aspiração das secreções são as medidas mais eficazes para desobstruir a via aérea superior, melhorar o padrão respiratório e garantir que a criança consiga se alimentar adequadamente, evitando a desidratação.
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