Bronquiolite em Lactentes: Diagnóstico e Manejo Clínico

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

Lactente do sexo masculino, 4 meses de idade, com antecedente de prematuridade (35 3/7 semanas), é trazido ao pronto-socorro infantil por sua mãe com queixa de falta de ar hoje. Segundo ela, há 3 dias, o paciente iniciou quadro de tosse e coriza hialina, evoluindo hoje com dificuldade para respirar e inapetência. Nega febre.O paciente está em aleitamento materno exclusivo, tem cartão vacinal em dia e nunca apresentou quadros semelhantes antes. Os pais são hígidos e ele não tem irmãos. Ao exame, encontra-se em regular estado geral, desidratado 2+/4+, taquidispneico e choroso. Ausculta pulmonar com sibilos difusos, com presença de retração subcostal e saturação de oxigênio de 92% em ar ambiente. Sem outras alterações.Com base no quadro clínico apresentado e na hipótese diagnóstica mais provável para esse paciente, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O paciente do caso apresentado tinha indicação de profilaxia com palivizumabe, de acordo com os critérios do Ministério da Saúde.
  2. B) O seu manejo clínico envolve beta-2-agonista de curta duração inalatório, corticoterapia sistêmica e oxigenoterapia.
  3. C) Não há indicação rotineira de exames para confirmação diagnóstica dessa doença.
  4. D) Os fatores de risco para gravidade nesse caso incluem sexo masculino, prematuridade e aleitamento materno exclusivo.
  5. E) Sua principal etiologia para crianças com cartão vacinal em dia, nessa faixa etária, é o Streptococcus pneumoniae.

Pérola Clínica

Bronquiolite em lactente: diagnóstico clínico, exames complementares não rotineiros.

Resumo-Chave

A bronquiolite viral aguda é um diagnóstico eminentemente clínico, baseado na história e exame físico. Exames como radiografia de tórax ou pesquisa viral não são indicados rotineiramente, pois não alteram o manejo da maioria dos casos e podem levar a intervenções desnecessárias.

Contexto Educacional

A bronquiolite viral aguda é a infecção respiratória mais comum do trato respiratório inferior em lactentes, afetando principalmente crianças menores de 2 anos. É uma causa frequente de hospitalização pediátrica, especialmente durante os meses de inverno. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é o principal agente etiológico, responsável pela maioria dos casos. A compreensão de sua epidemiologia e apresentação clínica é crucial para o manejo adequado. O diagnóstico da bronquiolite é fundamentalmente clínico, baseado na história de infecção de vias aéreas superiores seguida por desconforto respiratório, tosse e sibilância, especialmente em lactentes. O exame físico revela taquipneia, tiragens e sibilos difusos. A fisiopatologia envolve inflamação e necrose do epitélio brônquico, levando a edema, hipersecreção e obstrução das pequenas vias aéreas. A suspeita deve ser alta em lactentes com sintomas respiratórios agudos e sibilância. O tratamento da bronquiolite é primariamente de suporte, focando na manutenção da oxigenação (oxigenoterapia se SpO2 < 90-92%), hidratação e nutrição. Não há indicação rotineira para broncodilatadores, corticoides, antibióticos ou nebulização com soro fisiológico hipertônico na maioria dos casos. A profilaxia com palivizumabe é reservada para grupos de alto risco. O prognóstico é geralmente bom, mas alguns lactentes podem evoluir para quadros graves, necessitando de internação em UTI.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da bronquiolite em lactentes?

Os sinais clássicos incluem tosse, coriza, sibilância, taquipneia, tiragem intercostal/subcostal e, em casos mais graves, cianose e apneia, geralmente precedidos por sintomas de IVAS.

Qual a conduta inicial para um lactente com bronquiolite e saturação de oxigênio de 92%?

A conduta inicial envolve suporte, como oxigenoterapia para manter SpO2 > 90-92%, hidratação adequada e suporte nutricional. Beta-2-agonistas e corticoides não são rotineiramente indicados.

Quando a profilaxia com palivizumabe é indicada para bronquiolite?

A profilaxia com palivizumabe é indicada para grupos de alto risco, como prematuros extremos, crianças com doença pulmonar crônica da prematuridade ou cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica significativa, conforme critérios do Ministério da Saúde.

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