Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2022
Uma lactente com dois meses de vida, sem antecedentes mórbidos, foi levada ao pronto-socorro com história de coriza, tosse, febre de 37,8 °C há três dias e cansaço há um dia. Ao exame físico, está taquidispneica, acianótica, levemente desidratada e com saturação de oxigênio de 89%. Apresenta tiragem subcostal e intercostal, além de sibilância. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta.
Bronquiolite viral aguda: diagnóstico clínico, tratamento de suporte. Oximetria contínua pode levar a intervenções desnecessárias em pacientes estáveis.
A bronquiolite viral aguda é um diagnóstico clínico, e o tratamento é primariamente de suporte. A oximetria de pulso contínua em pacientes com bronquiolite, uma vez estabilizados, não é recomendada rotineiramente, pois pode levar a intervenções excessivas (como oxigenoterapia prolongada) sem benefício claro e pode aumentar o tempo de internação.
A bronquiolite viral aguda é a causa mais comum de infecção do trato respiratório inferior em lactentes, afetando principalmente crianças menores de 2 anos. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é o agente etiológico mais frequente. A doença caracteriza-se por inflamação e necrose do epitélio bronquiolar, levando a edema, hipersecreção de muco e broncoespasmo, resultando em obstrução das pequenas vias aéreas e desconforto respiratório. O diagnóstico da bronquiolite é eminentemente clínico, baseado na história e exame físico, que revela taquipneia, tiragem, sibilância e crepitações. Exames complementares como radiografia de tórax ou painel viral não são rotineiramente necessários para o diagnóstico ou para guiar o tratamento, que é primariamente de suporte. A hidratação deve ser cuidadosa, preferencialmente com soro isotônico, para evitar o risco de hiponatremia. O manejo da bronquiolite foca na manutenção da oxigenação e hidratação adequadas. A oxigenoterapia é indicada para saturação de oxigênio persistentemente abaixo de 90-92%. No entanto, a oximetria de pulso contínua, após a estabilização do paciente, não é recomendada, pois pode levar a intervenções excessivas e prolongar a internação sem benefício clínico. A prevenção com Palivizumab é reservada para lactentes de alto risco, como prematuros extremos ou com cardiopatia congênita grave.
O diagnóstico de bronquiolite é clínico, baseado na história de infecção de vias aéreas superiores seguida por tosse, taquipneia, sibilância e tiragem em lactentes menores de 2 anos, especialmente no primeiro episódio.
A oximetria contínua pode levar a alarmes frequentes por dessaturações transitórias e fisiológicas, resultando em intervenções desnecessárias como oxigenoterapia prolongada, aumento do tempo de internação e maior ansiedade dos pais, sem melhorar os desfechos clínicos em pacientes estáveis.
A radiografia de tórax não é necessária para o diagnóstico de bronquiolite e deve ser reservada para casos com apresentação atípica, suspeita de pneumonia bacteriana, atelectasia, doença cardíaca congênita ou outras complicações.
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