Bronquiolite Viral Aguda: Diagnóstico e Manejo em Lactentes

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022

Enunciado

Lactente de 6 meses, sexo masculino, foi levado à unidade básica de saúde, com história de tosse, espirros, obstrução nasal, coriza e febre havia três dias, com evolução de chiado no peito e dispneia. Antecedentes pessoais: dois episódios de rinofaringite desde o nascimento, autolimitados e com boa evolução. A mãe é asmática. No exame físico, o paciente apresentou: frequência respiratória de 56 incursões respiratórias por minuto; tiragem de fúrcula e subcostal; tempo expiratório prolongado e sibilos difusos em moderada quantidade; saturometria de 88% em ar ambiente. Sem alterações no restante do exame físico. Radiografia de tórax evidenciou hiperinsuflação pulmonar.Considerando a situação descrita, assinale a opção que apresenta, respectivamente, o diagnóstico e a conduta adequados.

Alternativas

  1. A) Resfriado comum; broncodilatador, manejo ambulatorial e hidratação.
  2. B) Pneumonia bacteriana; antibioticoterapia, oxigenoterapia e internação.
  3. C) Bronquiolite viral aguda; medidas sintomáticas de suporte e monitorização.
  4. D) Asma de início precoce; administração de beta-agonista de curta duração e corticoide.

Pérola Clínica

Lactente < 1 ano, pródromos virais + chiado/dispneia, hipoxemia → Bronquiolite Viral Aguda = Suporte.

Resumo-Chave

A bronquiolite viral aguda é a principal causa de infecção do trato respiratório inferior em lactentes, caracterizada por obstrução de pequenas vias aéreas. O tratamento é primariamente de suporte, com oxigenoterapia para hipoxemia, hidratação adequada e aspiração de vias aéreas, sem benefício comprovado para broncodilatadores ou corticoides na maioria dos casos.

Contexto Educacional

A bronquiolite viral aguda (BVA) é a infecção respiratória inferior mais comum em lactentes, afetando principalmente crianças menores de 2 anos. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é o principal agente etiológico, responsável por 50-80% dos casos. A doença é caracterizada pela inflamação, edema e necrose do epitélio das pequenas vias aéreas (bronquíolos), levando à obstrução e aprisionamento de ar, resultando em hiperinsuflação pulmonar. O diagnóstico da BVA é essencialmente clínico, baseado na história de pródromos virais seguidos por dispneia, taquipneia, tiragem, tempo expiratório prolongado e sibilos difusos. A radiografia de tórax pode mostrar hiperinsuflação e infiltrados peribrônquicos, mas não é necessária para o diagnóstico de rotina. A saturometria é um indicador importante da gravidade, com hipoxemia indicando a necessidade de oxigenoterapia. O tratamento da bronquiolite é primariamente de suporte, visando manter a oxigenação e hidratação adequadas. Isso inclui oxigenoterapia para hipoxemia, hidratação oral ou intravenosa e aspiração de secreções nasais. Broncodilatadores, corticoides e antibióticos não são recomendados de rotina, pois não demonstraram benefício consistente e podem ter efeitos adversos. A prevenção em grupos de alto risco pode ser feita com palivizumabe. O prognóstico é geralmente bom, mas alguns lactentes podem ter sibilância recorrente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da bronquiolite viral aguda em lactentes?

A bronquiolite viral aguda geralmente começa com pródromos de infecção de vias aéreas superiores (tosse, coriza, espirros, febre baixa), progredindo para dispneia, taquipneia, tiragem, tempo expiratório prolongado e sibilos difusos. A hipoxemia é um sinal de gravidade.

Qual a conduta inicial para um lactente com bronquiolite e hipoxemia?

A conduta inicial para um lactente com bronquiolite e hipoxemia (saturometria < 90-92%) é a oxigenoterapia para manter a saturação adequada. Outras medidas de suporte incluem hidratação oral ou intravenosa, aspiração de secreções nasais e monitorização rigorosa.

Por que broncodilatadores e corticoides não são rotina na bronquiolite?

Broncodilatadores e corticoides não são recomendados de rotina na bronquiolite viral aguda porque a fisiopatologia envolve inflamação e necrose epitelial das pequenas vias aéreas, e não broncoespasmo primário. Estudos mostram pouco ou nenhum benefício clínico significativo na maioria dos casos, e podem ter efeitos adversos.

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