UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2018
Um lactente de 8 meses apresenta história, há 2 dias, de rinorreia hialina e febre, com 2 picos de 38,5 °C por dia. Há 12 horas com tosse seca e dificuldade para respirar, passando a aceitar só a dieta líquida oferecida e o leite materno, mas com dificuldade. Trata-se de lactente hígido, eutrófico, com vacinação em dia. Deu entrada no prontosocorro com temperatura de 37,5 °C, FR = 55 ipm, FC = 110 bpm, Sat 02=90%, em regular estado geral, com batimento de aletas nasais, sonolento, com tosse seca recorrente. Hiperemia de mucosas e rinorreia mucoide, boca com pouca saliva. Tórax: retrações sub e intercostais, com murmúrio vesicular rude e sibilos bilaterais e com roncos difusos. Abdome globoso, fígado a 3 cm do rebordo costal e baço não palpável. Ausência de sinais meníngeos. Pulsos presentes e palpáveis nos 4 membros, com tempo de enchimento capilar menor de 3 segundos. O médico, imediatamente, indica lavagem nasal com solução fisiológica e aspiração cuidadosa das narinas. A saturação após é de 93%, então ele prescreve a monitorização para suporte de oxigênio. Com base no provável diagnóstico, qual é a conduta terapêutica mais adequada?
Bronquiolite em lactente com desconforto respiratório e hipoxemia → Suporte: hidratação, lavagem nasal, O2 se Sat < 90-92%.
O tratamento da bronquiolite viral aguda é essencialmente de suporte, focado em manter a hidratação, desobstruir as vias aéreas superiores e fornecer oxigênio quando a saturação está abaixo dos níveis de segurança (geralmente <90-92%), visando otimizar a ventilação e reduzir o trabalho respiratório.
A bronquiolite viral aguda é uma infecção respiratória comum em lactentes e crianças jovens, caracterizada por inflamação e obstrução das pequenas vias aéreas. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é o principal agente etiológico, responsável pela maioria dos casos, especialmente nos meses de inverno. A doença é uma das principais causas de hospitalização em crianças menores de um ano, sendo crucial para residentes e estudantes de medicina dominar seu manejo. A fisiopatologia envolve edema, necrose de células epiteliais e produção excessiva de muco, levando à obstrução dos bronquíolos e aprisionamento de ar. O diagnóstico é clínico, baseado na história de infecção de vias aéreas superiores seguida por tosse, taquipneia, sibilância e retrações. A hipoxemia é um sinal de gravidade. É importante suspeitar de bronquiolite em qualquer lactente com quadro de sibilância aguda e pródromos virais. O tratamento da bronquiolite é predominantemente de suporte. Isso inclui hidratação adequada (oral ou intravenosa), desobstrução das vias aéreas superiores com lavagem nasal e aspiração, e oxigenoterapia para manter a saturação acima de 90-92%. Broncodilatadores, corticoides e antibióticos não são recomendados de rotina, pois não demonstraram benefício consistente na maioria dos casos. O prognóstico é geralmente bom, mas alguns lactentes podem ter episódios recorrentes de sibilância.
Os sinais de gravidade incluem taquipneia acentuada, retrações subcostais e intercostais, batimento de aletas nasais, cianose, gemência, sonolência, irritabilidade e saturação de oxigênio persistentemente baixa (<90-92%).
A hidratação é vital para evitar a desidratação, comum devido à febre e ao aumento do trabalho respiratório. A lavagem nasal com solução fisiológica e aspiração remove o muco, melhorando a permeabilidade das vias aéreas superiores e facilitando a respiração e alimentação.
A oxigenoterapia é indicada quando a saturação de oxigênio periférica (SatO2) está persistentemente abaixo de 90-92% em ar ambiente, ou em casos de desconforto respiratório grave, para manter uma oxigenação adequada e reduzir o esforço respiratório.
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