Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026
Lactente, sexo feminino, 2 meses de idade, com antecedente de prematuridade de 34 semanas, está internada em enfermaria devido a quadro de bronquiolite, com painel respiratório positivo para Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Hoje, após 24 horas de internação, a mãe acha que a paciente está mais cansada. Ao exame clínico, paciente está em regular estado geral, letárgica e hipoativa. No exame pulmonar, apresenta sibilos difusos, tiragem subcostal intensa, com balanço de cabeça e gemência expiratória, frequência respiratória de 76 irpm e SatO₂ de 84% em ar ambiente. É instalado cateter nasal de alto fluxo com 2 L/kg e FiO2 de 60%, com aumento da SatO₂ para 89%; contudo, nota-se que a paciente está fazendo pausas respiratórias de 10 a 15 segundos, com queda de saturação. Qual é a conduta imediata mais indicada?
Bronquiolite grave + apneia/exaustão → Escalonar suporte (VNI ou IOT) imediatamente.
Lactentes jovens, especialmente prematuros com VSR, possuem alto risco de apneia central e obstrutiva. A falha clínica no cateter de alto fluxo (HFNC) exige suporte pressórico imediato.
A bronquiolite viral aguda é a principal causa de hospitalização em lactentes no primeiro ano de vida, sendo o VSR o agente etiológico mais frequente. O quadro clínico varia de sintomas leves de vias aéreas superiores a insuficiência respiratória grave. Prematuros e lactentes com menos de 12 semanas de vida constituem o grupo de maior risco para complicações, especialmente apneia. O manejo é predominantemente de suporte, incluindo hidratação, desobstrução nasal e oxigenoterapia. O uso de cateter nasal de alto fluxo (CNAF) tornou-se comum, mas não deve retardar a escalada para VNI ou intubação orotraqueal em pacientes com sinais de falência respiratória iminente, como as pausas respiratórias e a letargia observadas no caso clínico.
O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) pode induzir apneia através de múltiplos mecanismos, incluindo a depressão central do drive respiratório (comum em prematuros e menores de 2 meses), obstrução mecânica das vias aéreas superiores por secreções e fadiga da musculatura respiratória devido ao aumento expressivo do trabalho ventilatório. Em lactentes jovens, a apneia pode ser a manifestação inicial da bronquiolite, precedendo até mesmo os sinais clássicos de desconforto respiratório ou sibilância.
A ventilação não invasiva (VNI), geralmente na modalidade CPAP ou BiPAP, está indicada quando o paciente apresenta sinais de desconforto respiratório moderado a grave que não melhoram com oxigenoterapia convencional ou cateter de alto fluxo. Critérios específicos incluem hipercapnia progressiva, apneias recorrentes, exaustão muscular evidente (gemência, batimento de asa de nariz) e incapacidade de manter saturação de oxigênio adequada mesmo com FiO2 elevada.
A cafeína não possui indicação no tratamento da bronquiolite viral aguda. Embora seja o padrão-ouro para o tratamento da apneia da prematuridade idiopática em recém-nascidos, as apneias observadas na bronquiolite são secundárias a um processo infeccioso e inflamatório agudo. O manejo deve focar no suporte ventilatório adequado para garantir a troca gasosa e o repouso da musculatura respiratória até a resolução do quadro viral.
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