AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
Lactente de 5 meses com suspeita de bronquiolite viral aguda, com queixa de desconforto respiratório gradual, com tosse paroxística, dispneia e irritabilidade. Ao exame físico apresenta-se com taquipneia, dificuldade alimentar, ausculta com crepitações, tempo expiratório prolongado, batimento de aletas nasais e retrações intercostais. Sobre esta doença analise as assertivas abaixo: I. A ausência de sibilo audível não é tranquilizadora. PORQUE II. A obstrução completa ao fluxo de ar pode eliminar a turbulência que provoca a sibilância. A respeito destas asserções, assinale a opção correta:
Bronquiolite grave: a ausência de sibilos indica obstrução total do fluxo aéreo (tórax silencioso), não melhora.
A sibilância requer passagem de ar por vias estreitadas; se a obstrução for completa, o som desaparece, sinalizando gravidade extrema.
A bronquiolite viral aguda é a principal causa de hospitalização em lactentes menores de um ano. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na história de pródromos virais seguidos de sibilância e desconforto respiratório. O entendimento de que a ausência de sibilos pode representar o ápice da obstrução é crucial para o manejo em unidades de emergência. O tratamento é focado em suporte: hidratação, nutrição fracionada e oxigenoterapia se necessário. O uso de broncodilatadores e corticoides não é recomendado rotineiramente pelas diretrizes atuais, pois não alteram o curso da doença.
A sibilância é um som adventício produzido pela turbulência do ar ao passar por brônquios e bronquíolos estreitados, mas ainda pérvios. Quando a obstrução inflamatória, o edema da mucosa e o acúmulo de detritos celulares tornam-se tão severos que impedem quase totalmente a passagem de ar, a turbulência diminui drasticamente. Isso resulta no chamado 'tórax silencioso', onde a ausência de sons respiratórios audíveis indica uma falência respiratória iminente por ventilação ineficaz.
Os sinais clássicos incluem taquipneia (frequência respiratória acima do limite para a idade), batimento de aletas nasais, retrações intercostais, subcostais e fúrcula, além do uso da musculatura acessória. Em casos mais graves, observa-se o balanço tóraco-abdominal (respiração paradoxal), gemência expiratória e cianose central. A irritabilidade ou letargia associada à dificuldade alimentar também são indicadores indiretos de hipoxemia e exaustão muscular.
A doença é caracterizada por uma infecção viral (principalmente VSR) que causa inflamação dos bronquíolos terminais. O processo envolve edema de submucosa, necrose do epitélio respiratório e aumento da produção de muco. Como os lactentes possuem vias aéreas de calibre muito reduzido e menor complacência pulmonar, esse processo leva facilmente ao aprisionamento de ar, atelectasias e desequilíbrio na relação ventilação-perfusão (V/Q).
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