Bronquiolite Viral Aguda: Sinais de Gravidade e Sibilância

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

Lactente de 5 meses com suspeita de bronquiolite viral aguda, com queixa de desconforto respiratório gradual, com tosse paroxística, dispneia e irritabilidade. Ao exame físico apresenta-se com taquipneia, dificuldade alimentar, ausculta com crepitações, tempo expiratório prolongado, batimento de aletas nasais e retrações intercostais. Sobre esta doença analise as assertivas abaixo: I. A ausência de sibilo audível não é tranquilizadora. PORQUE II. A obstrução completa ao fluxo de ar pode eliminar a turbulência que provoca a sibilância. A respeito destas asserções, assinale a opção correta:

Alternativas

  1. A) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I.
  2. B) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I.
  3. C) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
  4. D) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
  5. E) As asserções I e II são proposições falsas.

Pérola Clínica

Bronquiolite grave: a ausência de sibilos indica obstrução total do fluxo aéreo (tórax silencioso), não melhora.

Resumo-Chave

A sibilância requer passagem de ar por vias estreitadas; se a obstrução for completa, o som desaparece, sinalizando gravidade extrema.

Contexto Educacional

A bronquiolite viral aguda é a principal causa de hospitalização em lactentes menores de um ano. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na história de pródromos virais seguidos de sibilância e desconforto respiratório. O entendimento de que a ausência de sibilos pode representar o ápice da obstrução é crucial para o manejo em unidades de emergência. O tratamento é focado em suporte: hidratação, nutrição fracionada e oxigenoterapia se necessário. O uso de broncodilatadores e corticoides não é recomendado rotineiramente pelas diretrizes atuais, pois não alteram o curso da doença.

Perguntas Frequentes

Por que a ausência de sibilos pode ser um sinal de gravidade na bronquiolite?

A sibilância é um som adventício produzido pela turbulência do ar ao passar por brônquios e bronquíolos estreitados, mas ainda pérvios. Quando a obstrução inflamatória, o edema da mucosa e o acúmulo de detritos celulares tornam-se tão severos que impedem quase totalmente a passagem de ar, a turbulência diminui drasticamente. Isso resulta no chamado 'tórax silencioso', onde a ausência de sons respiratórios audíveis indica uma falência respiratória iminente por ventilação ineficaz.

Quais são os principais sinais de desconforto respiratório no lactente?

Os sinais clássicos incluem taquipneia (frequência respiratória acima do limite para a idade), batimento de aletas nasais, retrações intercostais, subcostais e fúrcula, além do uso da musculatura acessória. Em casos mais graves, observa-se o balanço tóraco-abdominal (respiração paradoxal), gemência expiratória e cianose central. A irritabilidade ou letargia associada à dificuldade alimentar também são indicadores indiretos de hipoxemia e exaustão muscular.

Qual a fisiopatologia da bronquiolite viral aguda?

A doença é caracterizada por uma infecção viral (principalmente VSR) que causa inflamação dos bronquíolos terminais. O processo envolve edema de submucosa, necrose do epitélio respiratório e aumento da produção de muco. Como os lactentes possuem vias aéreas de calibre muito reduzido e menor complacência pulmonar, esse processo leva facilmente ao aprisionamento de ar, atelectasias e desequilíbrio na relação ventilação-perfusão (V/Q).

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