Bronquiolite Viral Aguda: Manejo do Desconforto Respiratório

MedEvo Simulado — Prova 2025

Enunciado

Um lactente de 6 meses, previamente hígido, nascido a termo, com peso adequado, sem intercorrências no período neonatal e em aleitamento materno exclusivo, é levado por seus pais ao pronto-socorro. A mãe relata que, há 4 dias, o filho iniciou quadro de coriza nasal, espirros e febre (máx. Tax 38,8ºC). Com o passar dos dias, a tosse tornou-se mais intensa e produtiva, e o paciente ficou mais irritado, com dificuldade de mamar devido à taquidispneia. A mãe refere que o filho está piorando da falta de ar e agora parece estar com “chiado no peito”. Ao exame físico: lactente agitado, taquidispneico (FR 65 ipm), tiragem subcostal e intercostal, batimento de aleta nasal e sibilos difusos à ausculta pulmonar. Pais negam episódios prévios de sibilância e história familiar de asma ou dermatite. Considerando o quadro clínico e o manejo da bronquiolite viral aguda, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) A administração de corticoide sistêmico é uma medida eficaz para reduzir a gravidade e o tempo de internação em casos como este.
  2. B) A radiografia de tórax é fundamental para confirmar o diagnóstico e deve ser realizada em todos os pacientes com suspeita de bronquiolite viral aguda.
  3. C) A suspensão da alimentação por via oral é indicada em lactentes com taquidispneia significativa e desconforto respiratório para prevenir aspiração.
  4. D) Broncodilatadores inalatórios, como salbutamol, devem ser utilizados rotineiramente, pois demonstram benefício consistente na melhora dos sintomas e da oxigenação.

Pérola Clínica

Bronquiolite grave com taquidispneia → suspender VO, iniciar hidratação IV para prevenir aspiração.

Resumo-Chave

Em lactentes com bronquiolite viral aguda e desconforto respiratório significativo (taquidispneia, tiragem), a suspensão da alimentação por via oral é crucial para prevenir o risco de aspiração pulmonar, que pode agravar o quadro. Nesses casos, a hidratação deve ser mantida por via intravenosa.

Contexto Educacional

A bronquiolite viral aguda é uma infecção respiratória comum em lactentes, causada principalmente pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que afeta as pequenas vias aéreas. Caracteriza-se por coriza, tosse, febre baixa e, progressivamente, desconforto respiratório com taquipneia, tiragem e sibilância. É uma das principais causas de hospitalização em crianças menores de um ano, exigindo atenção especial ao manejo do suporte respiratório e hidratação. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico. O manejo da bronquiolite é primariamente de suporte, focando na manutenção da oxigenação e hidratação. Em lactentes com taquidispneia significativa (FR > 60-70 ipm) e desconforto respiratório, a suspensão da alimentação por via oral é crucial para prevenir o risco de aspiração pulmonar, sendo a hidratação intravenosa a via preferencial. A oxigenoterapia é indicada para hipoxemia (SatO2 < 90-92%). É importante ressaltar que, na maioria dos casos de bronquiolite viral aguda, não há indicação para o uso rotineiro de broncodilatadores, corticoides sistêmicos ou antibióticos, pois não demonstram benefício consistente na redução da gravidade ou tempo de internação. A radiografia de tórax também não é rotineira, sendo reservada para casos com apresentação atípica ou suspeita de complicações. O foco principal é o suporte respiratório e a prevenção de complicações como a desidratação e a aspiração.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para suspender a alimentação oral em lactentes com bronquiolite?

A alimentação oral deve ser suspensa em lactentes com taquidispneia significativa (FR > 60-70 ipm), desconforto respiratório moderado a grave, ou hipoxemia, devido ao risco aumentado de aspiração.

Qual o papel dos corticoides e broncodilatadores na bronquiolite?

Corticoides sistêmicos e broncodilatadores inalatórios não são recomendados rotineiramente na bronquiolite viral aguda, pois estudos demonstram benefício limitado e não alteram o curso da doença na maioria dos casos.

Quando a radiografia de tórax é indicada na bronquiolite?

A radiografia de tórax não é fundamental para o diagnóstico de bronquiolite e deve ser reservada para casos atípicos, suspeita de complicações (ex: pneumonia bacteriana) ou para descartar outros diagnósticos.

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