UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2022
Lactente de 6 meses foi trazido pela mãe à UBS, tendo sido diagnosticado com bronquiolite viral aguda. Estava afebril, hidratado, mamando bem ao seio materno, sem sinais de esforço respiratório. Não apresentava comorbidades, e as vacinas estavam em dia. A mãe fora diagnosticada com covid-19 por teste PCR (polymerase chain reaction) há 5 dias. O teste PCR para SARS- CoV-2 da criança, realizado no dia seguinte à consulta, também indicou resultado positivo. O estado clínico do paciente permanecia inalterado. Que conduta, dentre as abaixo, deve ser adotada?
Bronquiolite viral leve em lactente sem comorbidades → Manejo ambulatorial com sinais de alerta para reavaliação.
Lactentes com bronquiolite viral aguda, mesmo com COVID-19, que apresentam bom estado geral, sem sinais de esforço respiratório ou desidratação, podem ser manejados ambulatorialmente. A orientação sobre sinais de gravidade para retorno imediato é a conduta mais adequada.
A bronquiolite viral aguda é a infecção respiratória mais comum em lactentes, geralmente causada por Vírus Sincicial Respiratório (VSR), mas outros vírus como SARS-CoV-2 também podem ser agentes etiológicos. Caracteriza-se por inflamação e obstrução das pequenas vias aéreas, levando a sibilância e dificuldade respiratória. A maioria dos casos é leve e autolimitada, podendo ser manejada em casa. O diagnóstico é clínico, baseado na idade do paciente, sintomas respiratórios (rinorreia, tosse, sibilância, taquipneia) e exame físico. Em casos leves, como o descrito, onde o lactente está afebril, hidratado, mamando bem e sem sinais de esforço respiratório significativo, a conduta é de suporte e observação domiciliar. Exames complementares como hemograma, PCR ou raio X de tórax não são rotineiramente indicados em casos leves. A principal conduta é a orientação dos pais sobre os sinais de gravidade (piora do esforço respiratório, cianose, recusa alimentar, letargia, apneia) que indicam a necessidade de reavaliação médica urgente. Não há evidências para o uso rotineiro de broncodilatadores, corticosteroides ou antibióticos na bronquiolite viral aguda não complicada. A internação é reservada para casos moderados a graves com risco de desidratação, hipoxemia ou apneia.
Sinais de gravidade incluem taquipneia acentuada, esforço respiratório (tiragem intercostal, batimento de asa de nariz, gemência), cianose, apneia, desidratação, recusa alimentar e saturação de oxigênio < 90-92%.
Estudos mostram que corticosteroides não têm benefício significativo na redução da gravidade ou duração da bronquiolite viral aguda na maioria dos casos, e podem estar associados a efeitos adversos.
O manejo ambulatorial consiste em hidratação adequada, desobstrução nasal, monitoramento de sinais de alerta pelos pais e retorno imediato ao serviço de saúde em caso de piora. Não há indicação de broncodilatadores ou antibióticos rotineiramente.
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