Bronquiolite Viral Aguda: Diagnóstico e Manejo em Lactentes

CHN - Complexo Hospitalar de Niterói (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Renan, 2 meses, nascido a termo, previamente hígido, iniciou quadro de coriza hialina, tosse e febre baixa há 2 dias. Tem uma irmã, Isis, de 3 anos que está muito gripada há 5 dias. Gustavo, pai das crianças, preocupado, resolveu levar Renan à Emergência do CHN. Ao examinar, encontramos uma criança pouco reativa, FR= 72 irpm, SatO₂= 92% em ar ambiente. Murmúrio vesicular universalmente audível, com sibilos inspiratórios e expiratórios bilaterais. Tiragem subcostal. Otoscopia bilateral e orofaringe sem alterações. É CORRETO AFIRMAR que Renan está com

Alternativas

  1. A) bronquiolite viral aguda, o principal agente é o vírus sincicial respiratório (VSR e deve ser tratado com fenoterol, oxigenioterapia e corticoide oral, em regime intra-hospitalar
  2. B) pneumonia, o agente provável é o pneumococo, deve receber penicilina cristalina intravenosa
  3. C) bronquiolite viral aguda, o principal agente é o VSR, deve ser tratado com sintomáticos, em regime domiciliar
  4. D) pneumonia, o agente provável é vírus, de receber tratamento intra-hospitalar de suporte
  5. E) bronquiolite viral aguda, o principal agente é o VSR, deve ser internado, oferecer tratamento de suporte, oxigenioterapia e considerar salina hipertônica

Pérola Clínica

Bronquiolite viral em lactente < 3 meses com SatO₂ < 92% e FR > 60 → Internação, O₂ e suporte. VSR é o principal agente.

Resumo-Chave

Lactentes jovens com bronquiolite viral aguda e sinais de gravidade, como taquipneia acentuada (FR > 60-70 irpm), hipoxemia (SatO₂ < 92%) e tiragem, necessitam de internação e tratamento de suporte. A salina hipertônica pode ser considerada em casos selecionados para reduzir o tempo de internação.

Contexto Educacional

A bronquiolite viral aguda é uma infecção respiratória comum em lactentes, principalmente nos primeiros dois anos de vida, com pico de incidência entre 2 e 6 meses. É a principal causa de internação hospitalar por doença respiratória em crianças pequenas, sendo o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) o agente etiológico mais frequente. A doença é caracterizada por inflamação e obstrução das pequenas vias aéreas, levando a desconforto respiratório, tosse e sibilos. A fisiopatologia envolve a replicação viral no epitélio respiratório, resultando em edema, necrose celular e produção excessiva de muco, que obstruem os bronquíolos. O diagnóstico é clínico, baseado na história de pródromo viral seguido por taquipneia, sibilos e tiragem. É crucial identificar sinais de gravidade, como hipoxemia, apneia, desidratação e exaustão respiratória, que indicam a necessidade de internação hospitalar para suporte adequado. O tratamento da bronquiolite é essencialmente de suporte, com foco na manutenção da oxigenação e hidratação. A oxigenioterapia é a principal intervenção para hipoxemia. A salina hipertônica inalatória pode ser considerada para reduzir o tempo de internação em alguns casos. Não há evidências robustas para o uso rotineiro de broncodilatadores, corticoides ou antibióticos, a menos que haja comorbidades ou suspeita de infecção bacteriana secundária. O prognóstico é geralmente bom, mas alguns lactentes podem desenvolver sibilância recorrente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de gravidade na bronquiolite viral aguda que indicam internação?

Os principais sinais de gravidade incluem taquipneia acentuada (FR > 60-70 irpm), hipoxemia (SatO₂ < 92% em ar ambiente), tiragem subcostal e intercostal, cianose, letargia, recusa alimentar e apneia, especialmente em lactentes menores de 3 meses.

Qual o papel do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) na bronquiolite e como ele se manifesta?

O VSR é o principal agente etiológico da bronquiolite viral aguda, responsável pela maioria dos casos graves. Ele causa inflamação e necrose das células epiteliais bronquiolares, levando a edema, hipersecreção de muco e obstrução das vias aéreas pequenas, manifestando-se com sibilos e desconforto respiratório.

Qual a conduta terapêutica inicial para um lactente com bronquiolite viral grave?

A conduta inicial é de suporte, focando na oxigenioterapia para manter SatO₂ > 90-92%, hidratação adequada (oral ou endovenosa) e aspiração de secreções nasais. A salina hipertônica inalatória pode ser considerada em casos moderados a graves, mas broncodilatadores e corticoides não são recomendados de rotina.

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