UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Menino, 2m, está internado há cerca de 24 horas com bronquiolite viral aguda por vírus sincicial respiratório. Recebe O2 suplementar através de cateter nasal e evolui com desconforto respiratório moderado. Ao exame apresenta entrada de ar assimétrica, sibilos expiratórios, uso moderado de musculatura acessória com tiragem subcostal e batimento de aleta nasal; FC = 145 bpm, FR = 60 irpm; oximetria de pulso = 95%. O score de Sant Joan de Déu (BROSJOD) é igual a oito. Diante disso, a melhor alternativa de tratamento é:
BROSJOD 6-9 (Moderada) → Cateter Nasal de Alto Fluxo (CNAF).
Em lactentes com bronquiolite moderada e falha no cateter nasal simples, o CNAF é a terapia de escolha por fornecer PEEP e reduzir o trabalho respiratório.
A bronquiolite viral aguda é a principal causa de internação em lactentes, sendo o VSR o agente mais comum. O manejo evoluiu para priorizar o suporte ventilatório não invasivo precoce. O CNAF tornou-se uma ferramenta intermediária valiosa entre o cateter nasal de baixo fluxo e a ventilação mecânica invasiva ou CPAP. O reconhecimento da gravidade através de escores validados como o BROSJOD permite uma escalonagem terapêutica segura. No caso clínico apresentado, o paciente já estava em oxigenoterapia simples e mantinha desconforto moderado (score 8), justificando a progressão para o alto fluxo para estabilização clínica e melhora da mecânica respiratória.
O score de Sant Joan de Déu (BROSJOD) avalia a gravidade da bronquiolite baseando-se na frequência respiratória, frequência cardíaca, esforço respiratório (tiragens) e entrada de ar. Um score de 0-5 indica quadro leve, 6-9 moderado e 10-14 grave. Pacientes com score 8 (moderado) que não respondem ao oxigênio convencional são candidatos ideais ao Cateter Nasal de Alto Fluxo (CNAF).
O CNAF fornece uma mistura de ar e oxigênio aquecida e 100% humidificada com fluxos superiores ao pico inspiratório do paciente. Isso gera uma pressão positiva expiratória final (PEEP) leve, reduz o espaço morto nasofaríngeo, diminui a resistência das vias aéreas e reduz significativamente o trabalho respiratório, evitando muitas vezes a intubação.
As diretrizes atuais (como as da Academia Americana de Pediatria) não recomendam o uso rotineiro de salina hipertônica, sulfato de magnésio, broncodilatadores ou corticoides na bronquiolite viral aguda. O tratamento é focado em suporte: hidratação adequada, desobstrução nasal e suporte ventilatório conforme a gravidade.
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