Bronquiolite Viral Aguda: Diagnóstico e Manejo em Lactentes

UNIATENAS - Centro Universitário Atenas (MG) — Prova 2025

Enunciado

Lactente do sexo feminino, 6 meses, é admitido no pronto atendimento com desconforto respiratório. Sua mãe relata que a criança, há uma semana, iniciou quadro gripal caracterizado por coriza hialina, febre baixa e tosse inicialmente seca. Houve piora dos sintomas, com surgimento de desconforto respiratório, motivo pelo qual procurou atendimento. No exame físico: Estado geral regular, irritado, afebril. - Avaliação respiratória: Sibilos expiratórios difusos. Tiragens subcostais e de fúrcula. FR: 55 ipm e Sat.02: 92% (ar ambiente). - Avaliação cardiovascular e abdominal sem alterações. Exames complementares: Hemograma: Hb: 10,5/Leuco 6.500/Plaquetas: 189.000. Radiografia de tórax: retificação de arcos costais, com rebaixamento de ambas as cúpulas diafragmáticas. Campos pulmonares limpos e mediastino centralizado. Pesquisa de VSR foi positiva. Assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) Trata-se de crise de asma. O uso de Beta2 agonista inalatório, por nebulização, é a melhor opção terapêutica para o caso, além do uso de corticoide sistêmico.
  2. B) Trata-se de crise de asma. O uso de Sulfato de magnésio é a melhor opção terapêutica.
  3. C) Trata-se de pneumonia atípica. O uso de macrolídeos deve ser iniciado imediatamente.
  4. D) Trata-se de bronquiolite viral aguda. Oxigenioterapia por cânula nasal e hidratação venosa são as condutas indicadas.
  5. E) Trata-se de bronquiolite viral aguda. Oxigenioterapia por Venturi, oseltamivir e hidrocortisona são as condutas indicadas.

Pérola Clínica

Lactente < 1 ano + quadro viral + sibilos + desconforto respiratório + VSR positivo = Bronquiolite viral aguda → Suporte (O2, hidratação).

Resumo-Chave

O quadro clínico de lactente com pródromo viral, desconforto respiratório, sibilos e hipoxemia, com VSR positivo, é clássico de bronquiolite viral aguda. O tratamento é essencialmente de suporte, com oxigenioterapia para manter saturação > 90-92% e hidratação adequada, especialmente se houver dificuldade para se alimentar.

Contexto Educacional

A bronquiolite viral aguda é a infecção respiratória mais comum do trato respiratório inferior em lactentes e crianças jovens, sendo o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) o principal agente etiológico. Caracteriza-se por inflamação e necrose das células epiteliais dos bronquíolos, levando a edema, produção de muco e broncoespasmo, resultando em obstrução das pequenas vias aéreas. A doença geralmente afeta crianças menores de 2 anos, com pico de incidência entre 2 e 6 meses de idade. O quadro clínico típico inicia-se com sintomas de infecção de vias aéreas superiores (coriza, tosse, febre baixa) por 1 a 3 dias, progredindo para desconforto respiratório, taquipneia, sibilos expiratórios e crepitações. A hipoxemia é comum em casos moderados a graves. O diagnóstico é predominantemente clínico, e exames complementares como a radiografia de tórax (que pode mostrar hiperinsuflação) e a pesquisa viral (VSR) podem auxiliar, mas não são essenciais para o manejo inicial. O tratamento da bronquiolite é fundamentalmente de suporte. As principais intervenções incluem oxigenioterapia para manter a saturação de oxigênio acima de 90-92%, hidratação adequada (oral ou intravenosa, dependendo da capacidade de ingestão), e manejo da temperatura. Não há evidências que suportem o uso rotineiro de broncodilatadores, corticoides sistêmicos, antibióticos ou antivirais (exceto em populações de alto risco para influenza). A prevenção com palivizumabe é indicada para grupos de risco.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para bronquiolite viral aguda?

O diagnóstico é clínico, baseado em pródromo viral (coriza, tosse, febre baixa) seguido por desconforto respiratório, taquipneia, sibilos e crepitações em lactentes menores de 2 anos.

Qual a principal conduta terapêutica na bronquiolite viral aguda?

O tratamento é de suporte, incluindo oxigenioterapia para manter saturação > 90-92%, hidratação adequada (oral ou venosa) e aspiração de vias aéreas superiores se necessário.

Por que broncodilatadores e corticoides não são recomendados rotineiramente na bronquiolite?

Estudos mostram que broncodilatadores e corticoides sistêmicos não alteram o curso da doença nem reduzem a necessidade de hospitalização ou tempo de internação na maioria dos casos de bronquiolite viral aguda.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo