PSU-ES - Processo Seletivo Unificado do Espírito Santo — Prova 2024
O advento da pandemia ocasionada pelo vírus SARS-COV-19 levou à adoção de amplas medidas sanitárias – como distanciamento social e uso de máscaras – com vistas ao amortecimento da velocidade de contágio pelo agente. A melhora das estatísticas relacionadas à morbimortalidade pela COVID-19 proporcionou, a partir do ano de 2022, a gradual retomada das atividades e serviços, concomitante ao afrouxamento das medidas de prevenção à doença.Em seu esteio, primeiramente em Europa e América do Norte e atualmente em todos os continentes, vem se observado o recrudescimento dos padrões de morbidade dos demais vírus respiratórios, com quebra de sazonalidade associada a apresentações atipicamente agressivas, índices mais altos de internações e necessidade de suporte ventilatório avançado. Mudanças nos perfis de imunidade e resistência bem como mutações novas podem estar implicadas. No entanto, as motivações para o quadro acima descrito permanecem por serem elucidadas.Ao pediatra, chama especial atenção o importante aumento dos casos graves de Bronquiolite Viral Aguda.Acerca do tratamento da Bronquiolite Viral Aguda, assinale a alternativa CORRETA.
Bronquiolite Viral Aguda: tratamento é suporte (hidratação, O2), medicações têm evidência ↓.
A bronquiolite viral aguda é uma doença autolimitada, e o tratamento é predominantemente de suporte. Medidas como hidratação adequada, desobstrução de vias aéreas superiores e oxigenoterapia para hipoxemia são as mais eficazes. A maioria das terapias medicamentosas, como broncodilatadores e corticoides, não demonstrou benefício consistente.
A bronquiolite viral aguda (BVA) é uma infecção respiratória comum em lactentes e crianças pequenas, causada principalmente pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Caracteriza-se por inflamação e obstrução das pequenas vias aéreas, levando a sibilância, taquipneia e desconforto respiratório. A pandemia de COVID-19 alterou os padrões epidemiológicos, com um recrudescimento atípico de casos graves, tornando o manejo um tema crítico para pediatras e residentes. O diagnóstico da BVA é essencialmente clínico, baseado na idade do paciente (geralmente < 2 anos) e nos sintomas respiratórios. A fisiopatologia envolve edema e necrose do epitélio bronquiolar, com produção de muco e formação de rolhas, resultando em aprisionamento de ar e atelectasias. É fundamental diferenciar de outras causas de sibilância, embora a maioria dos casos seja viral e autolimitada. O tratamento da BVA é primordialmente de suporte. As medidas mais eficazes incluem a manutenção da hidratação oral ou intravenosa, a desobstrução das vias aéreas superiores por aspiração nasal e a oxigenoterapia para corrigir a hipoxemia, mantendo a saturação de oxigênio acima de 90-92%. A maioria das intervenções medicamentosas, como broncodilatadores, corticoides, antibióticos e nebulização com epinefrina, tem baixo nível de evidência e não é recomendada para uso rotineiro, pois não demonstram benefício consistente na redução da duração da doença ou da necessidade de internação.
As principais medidas de suporte incluem a manutenção da hidratação adequada, a desobstrução das vias aéreas superiores (aspiração nasal) e a oxigenoterapia, se houver hipoxemia (saturação de oxigênio < 90-92%).
Estudos mostram que os broncodilatadores (como salbutamol) não oferecem benefício consistente na melhora dos desfechos clínicos da bronquiolite viral aguda e podem até causar efeitos adversos, não sendo recomendados para uso rotineiro.
A nebulização com solução salina hipertônica (3%) pode ser considerada em casos de bronquiolite moderada a grave, especialmente em pacientes internados, pois alguns estudos sugerem uma pequena redução no tempo de internação, embora não seja uma terapia universalmente recomendada.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo