SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2025
Lactente, 4 meses, previamente hígido, deu entrada no pronto atendimento com quadro de tosse e coriza há quatro dias, evoluindo com dificuldade para mamar, cansaço e piora da tosse. Exame físico: regular estado geral, congestão nasal e coriza, ausculta pulmonar com roncos e sibilos difusos, FR: 60 irpm, com retrações torácicas discretas e sat 02 93% em ar ambiente. Exames: raios X de tórax com retificação de arcos costais. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta:
Bronquiolite Viral Aguda = Suporte (Hidratação + O2 se Sat < 90-92%). Beta-2 e corticoide não indicados.
O tratamento da BVA é essencialmente de suporte. Ensaios clínicos não demonstram benefício consistente no uso de broncodilatadores, corticoides ou fisioterapia respiratória para o primeiro episódio.
A Bronquiolite Viral Aguda (BVA) é a causa mais comum de hospitalização em lactentes no primeiro ano de vida, sendo o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) o agente etiológico em até 75% dos casos. A doença tem um curso autolimitado, com pico de gravidade entre o 3º e o 5º dia de sintomas. O manejo atual foca na 'terapia de suporte mínima': manter a via aérea pérvia (limpeza nasal com soro fisiológico), garantir a hidratação (oral ou venosa se necessário) e oferecer oxigênio suplementar apenas se a saturação cair abaixo dos níveis críticos. A nebulização com solução salina hipertônica pode ser considerada em pacientes hospitalizados para auxiliar na depuração do muco, mas seu uso no pronto-socorro é controverso. O reconhecimento precoce de sinais de exaustão respiratória é a habilidade mais importante para o médico que atende esses pacientes.
O diagnóstico da Bronquiolite Viral Aguda (BVA) é eminentemente clínico. Define-se como o primeiro episódio de sibilância em um lactente (geralmente menor de 2 anos) precedido por um quadro de infecção de vias aéreas superiores (coriza, tosse, febre baixa). Ao exame físico, observam-se sinais de esforço respiratório (taquipneia, tiragens), roncos e sibilos expiratórios. Exames de imagem, como o raio-X de tórax, não são necessários rotineiramente e costumam mostrar apenas sinais de hiperinsuflação (retificação de arcos costais, retificação do diafragma). A identificação do agente viral (como o VSR) pode ser feita por painel viral, mas raramente altera a conduta clínica inicial.
Diversos estudos multicêntricos e diretrizes internacionais (como da AAP e SBP) demonstram que o uso de broncodilatadores (beta-2 agonistas) e corticoides sistêmicos não reduz o tempo de internação, não melhora a saturação de oxigênio e não altera o desfecho clínico na BVA. A fisiopatologia da bronquiolite envolve edema da mucosa, excesso de produção de muco e necrose de células epiteliais dos bronquíolos, e não o broncoespasmo muscular liso (como na asma). Portanto, o uso dessas medicações é desencorajado, pois além de não serem eficazes, podem causar efeitos colaterais como taquicardia e tremores.
A decisão de internar um lactente com bronquiolite baseia-se na gravidade do desconforto respiratório e na capacidade de manter a homeostase em casa. Os principais critérios incluem: Saturação de oxigênio persistentemente abaixo de 90-92% em ar ambiente, sinais moderados a graves de esforço respiratório (tiragem subcostal, batimento de asa de nariz), incapacidade de manter hidratação oral (dificuldade para mamar), apneia presenciada ou risco social. Lactentes muito jovens (menores de 3 meses) ou com comorbidades (prematuridade, cardiopatias, doenças neuromusculares) têm um limiar de internação mais baixo devido ao maior risco de evolução para insuficiência respiratória aguda.
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