Manejo da Bronquiolite Viral Aguda em Lactentes

FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2026

Enunciado

Lactente de 6 meses, previamente saudável e com vacinas em dia, é levado ao pronto-socorro com tosse seca, coriza e febre baixa há 2 dias. A mãe refere leve piora respiratória desde a noite anterior. Estado geral regular, ativo, interativo, hidratado, corado, aceitando bem o seio materno. SatO₂: 96% em ar ambiente, FR 48 irpm, FC 138 bpm; temperatura axilar: 37,8°C. Ausculta pulmonar com sibilos esparsos, sem batimento de asa nasal, sem gemido expiratório. Com base no caso clínico, a conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Internação hospitalar, oxigênio suplementar e antibiótico venoso.
  2. B) Internação hospitalar e broncodilatador inalatório de rotina.
  3. C) Encaminhamento imediato para broncoscopia diagnóstica.
  4. D) Tratamento domiciliar com corticoide oral por 5 dias.
  5. E) Tratamento domiciliar com medidas de suporte (hidratação, higiene nasal, posição elevada) e orientação de sinais de gravidade.

Pérola Clínica

Bronquiolite leve (SatO₂ > 94%, aceita dieta) → Suporte domiciliar + Higiene nasal.

Resumo-Chave

A bronquiolite viral aguda em casos leves requer apenas medidas de suporte e monitoramento de sinais de alerta, evitando-se o uso desnecessário de corticoides ou broncodilatadores.

Contexto Educacional

A Bronquiolite Viral Aguda (BVA) é a infecção do trato respiratório inferior mais comum em lactentes menores de 2 anos, sendo o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) o principal agente etiológico. O diagnóstico é eminentemente clínico, caracterizado por um pródromo de vias aéreas superiores seguido de sibilância, taquipneia e graus variáveis de desconforto respiratório. A gravidade da doença atinge o pico entre o 3º e o 5º dia de sintomas. As diretrizes atuais da Academia Americana de Pediatria (AAP) e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) enfatizam que o tratamento é baseado em suporte. Intervenções como corticoides, antibióticos, fisioterapia respiratória de rotina e nebulizações com solução salina hipertônica (em ambiente ambulatorial) não são recomendadas. O foco deve ser a oxigenação adequada e a estabilidade hidrolítica. A educação dos pais sobre a evolução natural da doença e o reconhecimento de sinais de perigo é a intervenção mais importante para casos leves manejados em domicílio.

Perguntas Frequentes

Quando indicar internação na bronquiolite viral aguda?

A internação está indicada em casos de desconforto respiratório moderado a grave (taquipneia importante, retrações intercostais, batimento de asa nasal), saturação de oxigênio persistentemente abaixo de 90-92% em ar ambiente, incapacidade de manter hidratação oral (aceitação alimentar < 50%), episódios de apneia ou em lactentes de alto risco (prematuros < 32 semanas, cardiopatas ou pneumopatas crônicos).

Por que broncodilatadores não são recomendados de rotina?

Estudos clínicos demonstraram que o uso de broncodilatadores (como o salbutamol) não altera o curso da doença, não reduz a taxa de internação nem o tempo de hospitalização na bronquiolite viral aguda. A fisiopatologia da doença envolve edema de mucosa, excesso de muco e debris celulares, e não broncoespasmo muscular liso primário, o que explica a baixa responsividade a essas medicações.

Quais são as medidas de suporte essenciais no tratamento domiciliar?

As medidas fundamentais incluem a manutenção de uma hidratação adequada (frequência aumentada de aleitamento ou oferta de líquidos), lavagem nasal frequente com soro fisiológico para desobstrução das vias aéreas superiores, manutenção da criança em posição elevada e monitoramento rigoroso de sinais de alerta, como piora do esforço respiratório ou cansaço para mamar.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo