HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2019
Uma lactente com dois meses de vida, sem antecedentes mórbidos, apresenta coriza e tosse há cinco dias, "chiado" há dois dias, com piora progressiva, e um pico febril de 37,9 °C no terceiro dia do quadro. Chegou ao setor de emergência pediátrica hidratada, taquidispneica, acianótica, com tempo de enchimento capilar de dois segundos, frequência respiratória de 64 ipm e saturação de oxigênio de 90% em ar ambiente. Apresenta, também, tiragem discreta subcostal e intercostal, além de sibilância bilateral e tempo expiratório prolongado. A mãe refere dificuldade da criança em se alimentar devido à dispneia. Além de internação e oxigenoterapia, a melhor alternativa nesse caso hipotético seria
Bronquiolite grave com dificuldade alimentar → Suporte nutricional por SNG para evitar desidratação/desnutrição.
Em lactentes com bronquiolite grave e dificuldade para se alimentar devido à dispneia, a dieta por sonda nasogástrica é uma medida de suporte essencial. Isso garante a hidratação e nutrição adequadas, prevenindo a desidratação e o agravamento do quadro clínico, enquanto se evita o risco de aspiração pulmonar associado à alimentação oral em taquidispneicos.
A bronquiolite viral aguda é uma das principais causas de hospitalização em lactentes jovens, especialmente nos primeiros meses de vida. Caracterizada por inflamação e obstrução das pequenas vias aéreas, geralmente causada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), a bronquiolite pode levar a desconforto respiratório significativo, hipoxemia e dificuldade alimentar. É um tema de extrema importância para residentes de pediatria, que devem dominar o manejo de suporte. O quadro clínico típico inclui coriza, tosse, chiado, taquipneia, tiragem e sibilância. A dificuldade para se alimentar é um sinal de gravidade, indicando que o esforço respiratório está comprometendo a ingestão calórica e hídrica. Nesses casos, a hidratação e a nutrição adequadas são pilares do tratamento de suporte. A alimentação oral pode ser perigosa devido ao risco de aspiração em crianças taquidispneicas, tornando a sonda nasogástrica uma alternativa segura e eficaz. Além da internação e oxigenoterapia para manter a saturação de oxigênio acima de 90-92%, o manejo da bronquiolite é predominantemente de suporte. Isso inclui a oferta de oxigênio suplementar, aspiração de vias aéreas superiores, e, crucialmente, a garantia de hidratação e nutrição. A dieta por sonda nasogástrica permite que o lactente receba os nutrientes e líquidos necessários sem o esforço respiratório adicional da alimentação oral, prevenindo a desidratação e o agravamento do quadro. Terapias como beta-2 agonistas, ipratrópio e corticosteroides não são recomendadas rotineiramente devido à falta de evidências de benefício significativo na maioria dos casos.
Sinais de gravidade na bronquiolite que indicam internação incluem taquipneia acentuada, tiragem subcostal/intercostal, sibilância intensa, saturação de oxigênio < 92% em ar ambiente, dificuldade para se alimentar, desidratação, apneia e idade inferior a 3 meses.
A dieta por sonda nasogástrica é crucial em lactentes com bronquiolite grave e dificuldade alimentar, pois garante a hidratação e nutrição necessárias sem aumentar o esforço respiratório ou o risco de aspiração pulmonar, que são comuns quando a alimentação oral é tentada em crianças taquidispneicas.
A maioria das diretrizes não recomenda o uso rotineiro de broncodilatadores (beta-2 agonistas), corticosteroides (orais ou inalatórios) e antibióticos na bronquiolite viral aguda, pois não demonstraram benefício significativo na maioria dos casos. O tratamento é principalmente de suporte.
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