Bronquiolite Viral Aguda: Manejo da Insuficiência Respiratória

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026

Enunciado

Lactente do sexo masculino, com 5 meses de idade, previamente saudável, é levado ao pronto-socorro após dois dias de evolução com aumento progressivo de esforço respiratório, tosse seca e febre baixa (37,8 ºC). Os pais relatam que ele tem ingerido menor volume de leite nas últimas 24 horas e está mais sonolento. Ao exame físico, a criança apresenta taquipneia (FR: 70 irpm), tiragem subcostal, batimento de asa de nariz e cianose perioral. A ausculta pulmonar revela sibilos e estertores difusos. Saturação periférica de oxigênio: 86% em ar ambiente. Gasometria arterial: pH: 7,25; PaCO₂: 58 mmHg; HCO3 –: 22 mmol/L. A radiografia de tórax mostra discreta hiperinsuflação pulmonar. Com base no caso descrito, qual a conduta mais apropriada?

Alternativas

  1. A) Iniciar tratamento imediato com antibióticos de amplo espectro devido à suspeita de pneumonia bacteriana associada à insuficiência respiratória.
  2. B) Realizar inalação com broncodilatadores de repetição, devido à presença de sibilos e um padrão gasométrico preocupante de hipercapnia causado pela constrição brônquica.
  3. C) Iniciar suporte com oxigenioterapia, que poderá ser com um cateter nasal de alto fluxo, pois a criança apresenta sinais claros de insuficiência respiratória.
  4. D) Avaliar a presença refluxo gastroesofágico com aspiração secundária como causa principal do quadro clínico, com início de dieta por sonda nasogástrica.
  5. E) Correção da acidose metabólica e hidratação da criança associada à oxigenioterapia com máscara de Venturi.

Pérola Clínica

Lactente < 2 anos + pródromos virais + sibilância/estertores = Bronquiolite Viral Aguda.

Resumo-Chave

O tratamento da bronquiolite é de suporte, focando em oxigenação e hidratação. O cateter de alto fluxo é indicado em casos de falha do cateter simples ou insuficiência respiratória moderada/grave.

Contexto Educacional

A bronquiolite viral aguda é a principal causa de hospitalização em lactentes, sendo o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) o agente mais comum. A fisiopatologia envolve inflamação das vias aéreas inferiores, edema de mucosa e acúmulo de debris celulares, levando à obstrução bronquiolar. O quadro clínico clássico inicia com sintomas de vias aéreas superiores que progridem para tosse, sibilância e desconforto respiratório em 2 a 3 dias. O manejo atual prioriza a estabilização clínica. O uso de Cateter Nasal de Alto Fluxo (CNAF) ganhou destaque por reduzir a necessidade de intubação orotraqueal em casos de insuficiência respiratória moderada a grave, ao fornecer um fluxo aquecido e umidificado que gera uma pressão positiva expiratória final (PEEP) extrínseca leve, melhorando a ventilação e reduzindo o trabalho respiratório.

Perguntas Frequentes

Quando indicar oxigenioterapia na bronquiolite?

A oxigenioterapia está indicada quando a saturação de oxigênio em ar ambiente é persistentemente inferior a 90-92% ou se houver sinais claros de desconforto respiratório grave. No caso apresentado, a saturação de 86% e a presença de acidose respiratória (PaCO2 elevada) justificam o suporte imediato, preferencialmente com métodos que ofereçam suporte pressórico como o cateter de alto fluxo ou CPAP.

Broncodilatadores funcionam na bronquiolite?

As principais diretrizes nacionais e internacionais recomendam contra o uso rotineiro de broncodilatadores (salbutamol) ou adrenalina inalatória. Embora alguns pacientes possam ter uma resposta clínica transitória, não há redução na taxa de hospitalização ou no tempo de internação. O diagnóstico é clínico e o tratamento é essencialmente de suporte.

Qual o papel da radiografia de tórax no diagnóstico?

A radiografia de tórax não deve ser solicitada rotineiramente na bronquiolite viral aguda. Ela é reservada para casos graves com necessidade de UTI, suspeita de complicações como pneumotórax ou quando há dúvida diagnóstica significativa. Achados comuns incluem hiperinsuflação e atelectasias, que podem ser confundidas com infiltrados pneumônicos.

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