UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2019
Você atende em pronto-socorro uma criança de 3 meses de idade, com história de coriza, tosse e febre há 3 dias, que vem piorando progressivamente, com desconforto respiratório há 2 dias. Ao exame físico: regular estado geral, taquidispneica, com frequência respiratória de 72 movimentos por minuto, sibilos generalizados e saturação periférica de O2 = 90%. A radiografia de tórax mostra hiperinsuflação pulmonar. Qual a conduta adequada ao caso?
Bronquiolite em lactente com Sat O2 < 92% e desconforto → Internação, oxigenoterapia e hidratação.
A bronquiolite viral aguda em lactentes é uma doença autolimitada, cujo tratamento é essencialmente de suporte. A internação é indicada para casos com hipoxemia (SatO2 < 92%), desconforto respiratório significativo ou dificuldade de alimentação, focando em oxigenoterapia e hidratação adequada.
A bronquiolite viral aguda é a infecção respiratória mais comum do trato respiratório inferior em lactentes, afetando principalmente crianças menores de 2 anos, com pico de incidência entre 2 e 6 meses de idade. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é o principal agente etiológico. A doença é caracterizada por um pródromo viral seguido de tosse, taquipneia, sibilos e desconforto respiratório, podendo levar à hipoxemia. A radiografia de tórax tipicamente mostra hiperinsuflação pulmonar. O manejo da bronquiolite é essencialmente de suporte. A internação hospitalar é indicada para lactentes com fatores de risco ou sinais de gravidade, como idade inferior a 3 meses, saturação de oxigênio abaixo de 92% em ar ambiente, desconforto respiratório significativo, apneia ou dificuldade de alimentação. O tratamento consiste em oxigenoterapia para manter a saturação adequada, hidratação oral ou intravenosa para prevenir desidratação e aspiração de vias aéreas superiores para remover secreções. É crucial evitar o uso rotineiro de broncodilatadores, corticoides, antibióticos e nebulização com adrenalina, pois a evidência científica não sustenta seu benefício na maioria dos casos e podem gerar efeitos adversos. A monitorização contínua e a avaliação da resposta ao suporte são pilares do tratamento. Residentes devem estar aptos a identificar os sinais de gravidade e indicar a internação e o suporte adequado.
Os principais critérios incluem idade inferior a 3 meses, saturação de oxigênio persistentemente abaixo de 92% em ar ambiente, desconforto respiratório moderado a grave, apneia, dificuldade de alimentação e comorbidades significativas que aumentam o risco.
A maioria dos estudos clínicos não demonstrou benefício consistente do uso rotineiro de broncodilatadores ou corticoides na bronquiolite viral aguda, que é primariamente uma doença de pequenas vias aéreas com edema e necrose epitelial, e não broncoespasmo significativo.
A oxigenoterapia é fundamental para corrigir a hipoxemia, que é uma complicação comum da bronquiolite devido à obstrução das pequenas vias aéreas e desequilíbrio ventilação-perfusão. Deve ser administrada para manter a saturação de oxigênio acima de 90-92%.
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