Bronquiolite Viral Aguda: Diagnóstico e Manejo em Lactentes

HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2024

Enunciado

Lactente masculino, 4 meses de vida. Previamente hígido, vacinação em dia. Há 48 horas com rinorreia, espirros e febrícula. Evoluindo com tosse intensa durante a madrugada. Aceitação do leite materno adequada. Ao exame físico, FR 35 irpm, temperatura 38 °C, corado e hidratado. SatO2 96%. À ausculta pulmonar, sibilos difusos. Assinale a alternativa com o diagnóstico provável e conduta:

Alternativas

  1. A) Crise de asma; Salbutamol inalado com espaçador e máscara, e cuidados gerais no domicílio.
  2. B) Crise de asma; Salbutamol com espaçador e máscara, prednisolona e internação para oxigenoterapia.
  3. C) Bronquiolite viral aguda; Salbutamol com espaçador e máscara e sintomáticos no domicílio.
  4. D) Bronquiolite viral aguda; cuidados gerais, antitérmicos e observação no domicílio.
  5. E) Pneumonia comunitária; iniciar amoxicilina e tratamento domiciliar com retorno em 48 h.

Pérola Clínica

Lactente < 1 ano com 1º episódio de sibilância + pródromos virais → Bronquiolite viral aguda. Conduta: suporte, hidratação, antitérmicos.

Resumo-Chave

A bronquiolite viral aguda é a causa mais comum de sibilância em lactentes < 1 ano, geralmente precedida por sintomas de IVAS. O tratamento é primariamente de suporte, com hidratação, antitérmicos e observação, sem indicação rotineira de broncodilatadores ou corticoides.

Contexto Educacional

A bronquiolite viral aguda é uma das principais causas de hospitalização em lactentes, especialmente nos meses de inverno. É uma infecção viral das pequenas vias aéreas, mais comumente causada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que leva à inflamação, edema e necrose do epitélio brônquico, resultando em obstrução e sibilância. A faixa etária mais acometida são lactentes menores de 1 ano, com pico entre 2 e 6 meses. O diagnóstico é clínico, baseado na história de pródromos virais seguidos por tosse, taquipneia e sibilância ao exame físico. A oximetria de pulso é um importante indicador da gravidade. O tratamento é fundamentalmente de suporte, visando manter a hidratação, oxigenação e conforto do paciente. Isso inclui lavagem nasal, antitérmicos e, se necessário, oxigenoterapia. A maioria dos casos pode ser manejada em domicílio, com orientação aos pais sobre sinais de alerta. É crucial evitar o uso rotineiro de broncodilatadores, corticoides ou antibióticos, pois não há evidências robustas de benefício na maioria dos casos e podem levar a efeitos adversos. A internação é indicada para casos com desconforto respiratório moderado a grave, hipoxemia persistente, desidratação ou apneia. A prevenção com palivizumabe é reservada para grupos de alto risco.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas típicos da bronquiolite viral aguda em lactentes?

A bronquiolite viral aguda geralmente começa com sintomas de IVAS (rinorreia, tosse, febrícula) e evolui para tosse intensa, taquipneia, sibilância e, em casos mais graves, desconforto respiratório.

Qual a conduta inicial para um lactente com bronquiolite viral aguda leve?

A conduta inicial para bronquiolite leve é de suporte, incluindo hidratação adequada, antitérmicos para febre e observação domiciliar. Broncodilatadores e corticoides não são recomendados rotineiramente.

Como diferenciar bronquiolite de asma em lactentes?

A bronquiolite é o primeiro episódio de sibilância em lactentes < 1 ano, geralmente associada a pródromos virais. Asma é um diagnóstico de exclusão em lactentes e geralmente requer episódios recorrentes de sibilância.

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