Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2020
Lactente, com 2 meses e 10 dias de idade, sexo masculino, previamente hígido, apresenta tosse e desconforto respiratório há 3 dias, precedidos por febre baixa. Ao exame físico, apresenta tiragem intercostal, ausculta com sibilos e estertores subcrepitantes, frequência respiratória de 50 movimentos/minuto e oximetria de 90%. Uma radiografia de tórax solicitada evidenciou hiperinsuflação e retificação dos arcos costais, além de uma imagem “em vela de barco” em terço superior à direita.Sobre o quadro desse lactente, assinale a alternativa correta.
Lactente < 6 meses com sibilância, desconforto respiratório e hiperinsuflação RX = Bronquiolite viral, tratamento suporte + O2, evitar broncodilatadores.
O quadro clínico e radiográfico (hiperinsuflação, retificação arcos costais) em lactente jovem é altamente sugestivo de bronquiolite viral. A "imagem em vela de barco" refere-se ao timo normal em crianças, não sendo patológica. O tratamento é de suporte, com oxigenioterapia se hipoxemia, e broncodilatadores não são rotineiramente recomendados.
A bronquiolite viral é uma das causas mais comuns de doença respiratória inferior em lactentes, especialmente nos primeiros seis meses de vida. Caracteriza-se por inflamação e necrose das células epiteliais das pequenas vias aéreas, levando a edema, produção de muco e broncoespasmo, resultando em obstrução e aprisionamento de ar. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é o principal agente etiológico. O diagnóstico é clínico, baseado na história de pródromos virais seguidos por tosse, sibilância e desconforto respiratório. O exame físico revela taquipneia, tiragem, sibilos e estertores. A oximetria de pulso é fundamental para avaliar a necessidade de oxigenioterapia. A radiografia de tórax pode mostrar hiperinsuflação e retificação dos arcos costais, achados típicos de aprisionamento aéreo. A "imagem em vela de barco" é uma variação normal do timo em crianças. O tratamento da bronquiolite é primariamente de suporte. Isso inclui hidratação, aspiração de secreções e, crucialmente, oxigenioterapia para manter a saturação acima de 90-92%. Broncodilatadores, corticosteroides e antibióticos não são rotineiramente recomendados, pois não demonstraram benefício consistente e podem ter efeitos adversos. A vigilância para sinais de piora e a educação dos pais são componentes importantes do manejo.
A "imagem em vela de barco" é um achado radiográfico normal em lactentes e crianças pequenas, representando o timo, que é uma glândula linfóide proeminente nessa faixa etária.
Estudos mostram que broncodilatadores não trazem benefício significativo na maioria dos casos de bronquiolite viral, que é uma doença de pequenas vias aéreas com fisiopatologia diferente da asma, e podem causar efeitos adversos.
As medidas de suporte incluem hidratação adequada, aspiração de secreções nasais, monitorização e oxigenioterapia se a saturação de oxigênio estiver abaixo de 90-92%.
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