Bronquiolite Viral em Lactentes: Diagnóstico e Manejo

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2019

Enunciado

Lactente de 2 meses de vida, previamente hígido, apresenta quadro de tosse associada a desconforto respiratório há 2 dias, precedida por febre baixa. Ao exame físico, lactente em bom esta geral, presença de tiragem intercostal e subcostal, ausculta pulmonar com sibilos expiratórios, com 50 incursões respiratórias por minuto. Solicitado RX de tórax que evidenciou hiperisuflação e retificação de arcos costais, com imagem em vela de barco em ápse direito. Em relação ao caso descrito, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) é compatível com pneumonia bacteriana aguda, devendo ser tratada com penicilina cristalina e aminoglicosídeo devido idade menor que 3 meses.
  2. B) trata-se de crise de asma, devendo ser iniciado tratamento de ataque com broncodilatador inalatório associado a brometo de ipatrópio.
  3. C) a fisiopatologia principal é broncoespasmo desencadeado por infecção viral aguda, tendo como agente etiológico principal o rinovírus.
  4. D) é compatível com bronquiolite viral, tem como principal agente etiológico o vírus sincicial respiratório, e deve ser inicialmente tratado com terapêutica sintomática.
  5. E) é compatível com pneumonia aspirativa, devendo ser tratada com clindamicina e investigado doença do refluxo gastroesofágico.

Pérola Clínica

Bronquiolite viral em lactente < 2m = VSR principal etiologia, tratamento sintomático.

Resumo-Chave

A bronquiolite viral é uma infecção respiratória comum em lactentes, caracterizada por inflamação e obstrução das pequenas vias aéreas. O diagnóstico é clínico, e o RX de tórax pode mostrar hiperinsuflação. O tratamento é de suporte, focando na hidratação e oxigenação.

Contexto Educacional

A bronquiolite viral aguda é uma das principais causas de internação em lactentes jovens, especialmente nos primeiros meses de vida. É uma infecção respiratória comum que afeta as pequenas vias aéreas, os bronquíolos, levando a inflamação, edema e produção de muco. Sua alta incidência e potencial de gravidade a tornam um tema crucial para a prática pediátrica. A fisiopatologia envolve a infecção viral das células epiteliais bronquiolares, resultando em necrose celular, edema e acúmulo de muco, que causam obstrução das vias aéreas. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é o agente etiológico mais comum, responsável por 50-80% dos casos. O diagnóstico é clínico, baseado na história de pródromos virais e exame físico com taquipneia, tiragens e sibilos. O raio-X de tórax pode mostrar hiperinsuflação e retificação do diafragma, mas não é mandatório para o diagnóstico. O tratamento da bronquiolite é primariamente de suporte, focando na manutenção da hidratação, oxigenação adequada (se SpO2 < 90-92%) e desobstrução das vias aéreas superiores. Não há evidências para o uso rotineiro de broncodilatadores, corticoides ou antibióticos, a menos que haja comorbidades ou suspeita de infecção bacteriana secundária. A educação dos pais sobre os sinais de alerta é fundamental para evitar complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da bronquiolite viral em lactentes?

A bronquiolite viral em lactentes manifesta-se com tosse, coriza, febre baixa, desconforto respiratório (tiragem, taquipneia) e sibilos expiratórios à ausculta pulmonar.

Qual o principal agente etiológico da bronquiolite e qual o tratamento inicial?

O principal agente etiológico é o Vírus Sincicial Respiratório (VSR). O tratamento inicial é sintomático, incluindo hidratação, suporte de oxigênio se necessário e aspiração de vias aéreas.

Como diferenciar bronquiolite de pneumonia bacteriana em um lactente?

A bronquiolite é predominantemente viral, com sibilos e hiperinsuflação no RX. A pneumonia bacteriana pode apresentar febre alta, crepitações localizadas e infiltrados no RX, e geralmente tem piora do estado geral.

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