UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2020
Lactente de 4 meses é internada na enfermaria de pediatria com quadro de febre (38ºC), tosse e taquidispneia importante com sibilância. Está sendo tratada com β₂ agonista inalatório e obteve melhora parcial do quadro respiratório. Após cinco dias, evolui com piora clínica importante, necessitando de intubação orotraqueal para suporte ventilatório e transferência para UTI pediátrica. Ao exame do aparelho respiratório, apresenta estertores crepitantes e sibilos difusos. A radiografia de tórax evidencia infiltrado em lobo médio direito que apaga a silhueta cardíaca. Foi instituída antibioticoterapia, além de intensificação da terapêutica com β₂ agonista inalatório e fisioterapia respiratória. Por não apresentar melhora respiratória, optou-se pela realização de tomografia computadorizada de tórax, que evidenciou bronquiectasias, perfusão em mosaico e atenuação vascular. O diagnóstico respiratório mais provável é:
Lactente com sibilância persistente, piora progressiva e TC com bronquiectasias, perfusão em mosaico e atenuação vascular → Bronquiolite Obliterante.
A bronquiolite obliterante é uma doença pulmonar obstrutiva crônica rara em crianças, frequentemente sequela de infecções virais graves (adenovírus) ou outras injúrias pulmonares. Os achados de tomografia computadorizada de tórax, como bronquiectasias, perfusão em mosaico e atenuação vascular, são patognomônicos.
A bronquiolite obliterante (BO) é uma doença pulmonar obstrutiva crônica rara e grave em crianças, caracterizada pela inflamação e fibrose das pequenas vias aéreas, levando à sua obstrução. Frequentemente, é uma sequela de infecções virais graves, como as causadas por adenovírus, ou outras injúrias pulmonares. O diagnóstico precoce é desafiador devido à inespecificidade dos sintomas iniciais, que podem mimetizar outras condições respiratórias comuns na infância. O quadro clínico geralmente se inicia com sibilância persistente, tosse e taquidispneia, que não respondem adequadamente ao tratamento convencional para asma ou bronquiolite viral. A piora progressiva e a necessidade de suporte ventilatório são indicativos de gravidade. A tomografia computadorizada de tórax de alta resolução é fundamental para o diagnóstico, revelando achados característicos como bronquiectasias, perfusão em mosaico (áreas de hipoatenuação pulmonar devido ao aprisionamento aéreo e hipoperfusão) e atenuação vascular. O tratamento da bronquiolite obliterante é complexo e visa principalmente o suporte respiratório, a prevenção de infecções secundárias e o manejo dos sintomas, muitas vezes com corticosteroides e broncodilatadores, embora a resposta seja variável. O prognóstico é reservado, e muitos pacientes evoluem com doença pulmonar crônica significativa. A diferenciação de outras causas de doença pulmonar obstrutiva, como a fibrose cística, é crucial para o manejo adequado.
Os achados clássicos incluem bronquiectasias, perfusão em mosaico (áreas de aprisionamento aéreo e hipoperfusão) e atenuação vascular, refletindo a obstrução das pequenas vias aéreas.
A bronquiolite obliterante em lactentes é frequentemente uma sequela de infecções virais graves, sendo o adenovírus o agente etiológico mais comum, embora outras causas também existam.
Embora ambas possam cursar com bronquiectasias, a bronquiolite obliterante geralmente tem um início agudo após uma infecção e apresenta perfusão em mosaico na TC, enquanto a fibrose cística é uma doença genética com manifestações multissistêmicas e teste do suor positivo.
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