USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Paciente de 2 meses, sexo masculino, em uso de fórmula láctea de partida, foi internado em leito de enfermaria há 24 horas. Na admissão, apresentava história de tosse e coriza há dois dias e desconforto respiratório há um dia. Ao exame clínico, neste momento, paciente segue com desconforto respiratório, apresenta ausculta respiratória com sibilos e estertores em bases bilateralmente, tiragem subdiafragmática leve/moderada, FR: 71 ipm, FC: 168 bpm, SpO₂ 94% em cateter nasal de oxigênio 2 L/min. Peso: 4 kg. As anotações nos controles de enfermagem, o exame de imagem realizado e a prescrição atual são demonstrados a seguir: Assinale a alternativa que apresenta a conduta indicada para esse paciente, neste momento.
Lactente com bronquiolite e desconforto respiratório → priorizar hidratação e suporte respiratório, evitar broncodilatadores rotineiros.
Em um lactente de 2 meses com desconforto respiratório e sinais de bronquiolite, a conduta principal é o suporte. Isso inclui oxigenoterapia para manter a saturação, e hidratação adequada, muitas vezes por via intravenosa (soro de manutenção), pois a taquipneia e o esforço respiratório podem comprometer a ingestão oral e aumentar as perdas insensíveis, levando à desidratação. Antibióticos e broncodilatadores (como salbutamol) não são recomendados rotineiramente para bronquiolite viral.
A bronquiolite é uma infecção viral aguda das vias aéreas inferiores, comum em lactentes, especialmente nos primeiros dois anos de vida. É causada principalmente pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), mas outros vírus também podem estar envolvidos. Caracteriza-se por inflamação e edema das pequenas vias aéreas, levando a obstrução, sibilância, tosse e desconforto respiratório. A epidemiologia mostra picos sazonais, e a doença é uma das principais causas de hospitalização em lactentes. A fisiopatologia envolve a necrose das células epiteliais brônquicas, edema submucoso e produção excessiva de muco, resultando em obstrução das vias aéreas e aprisionamento de ar. O diagnóstico é clínico, baseado na idade do paciente, história de infecção de vias aéreas superiores e achados de exame físico como taquipneia, tiragem, sibilância e estertores. A suspeita deve ser alta em lactentes com desconforto respiratório progressivo. O tratamento da bronquiolite é predominantemente de suporte. Não há tratamento antiviral específico ou medicação que altere o curso da doença. As intervenções incluem oxigenoterapia para hipoxemia, hidratação adequada (oral ou intravenosa), aspiração de secreções nasais e monitoramento. Antibióticos e broncodilatadores não são recomendados rotineiramente. O prognóstico é geralmente bom, mas alguns lactentes podem desenvolver sibilância recorrente. Residentes devem focar no reconhecimento precoce dos sinais de gravidade e na implementação de medidas de suporte eficazes para garantir a recuperação do paciente.
Os pilares do tratamento da bronquiolite são o suporte, que inclui oxigenoterapia para manter a saturação acima de 90-92%, hidratação adequada (oral ou intravenosa), aspiração de vias aéreas superiores para desobstrução e monitoramento rigoroso dos sinais vitais e do esforço respiratório.
Lactentes com bronquiolite e desconforto respiratório podem ter dificuldade em se alimentar oralmente devido à taquipneia e ao esforço respiratório, além de apresentarem aumento das perdas insensíveis. A hidratação intravenosa com soro de manutenção previne a desidratação e garante o equilíbrio hidroeletrolítico.
O salbutamol (broncodilatador) não é recomendado para uso rotineiro na bronquiolite em lactentes, pois a maioria dos estudos não demonstra benefício significativo e pode haver efeitos colaterais. Seu uso pode ser considerado em casos selecionados, com teste terapêutico, se houver forte suspeita de broncoespasmo associado, mas não é a conduta inicial padrão.
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