UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2015
Criança de 5 meses de idade é trazida para emergência com quadro de cansaço há um dia. Segundo a mãe há 2 dias iniciou quadro de coriza, apresentou febre 38,0°C por 2 vezes e foi medicado com paracetamol. Criança hígida até o momento. Há duas semanas a criança está frequentando a creche.Exame físico: hipoativa, sonolenta, corada, hidratada acianótica, com palidez cutânea, afebril, anictérica. Frequência cardíaca 155 batimentos por minuto; frequência respiratória 66 incursões por minuto; Saturação de oxigênio (ar ambiente) 92%.Retração intercostal e subdiafragmática ++/+4, Batimento de asa de nariz Murmúrio vesicular diminuído globalmente com estertores grossos e sibilos difusos Bulhas rítmicas normofonéticas sem soprosRestante do exame sem alterações.Baseado na história e no exame físico qual o diagnóstico mais provável?Qual é o agente etiológico mais frequente?
Lactente < 1 ano com pródromo viral + desconforto respiratório + sibilos = Bronquiolite, sendo VSR o agente + comum.
O quadro clínico de um lactente com pródromo viral seguido de desconforto respiratório, taquipneia, sibilos e estertores, especialmente em contexto de creche, é altamente sugestivo de bronquiolite aguda. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é o principal agente etiológico, e a hipoxemia (SpO2 92%) indica gravidade.
A bronquiolite aguda é uma infecção viral comum do trato respiratório inferior que afeta principalmente lactentes e crianças pequenas, com pico de incidência entre 2 e 6 meses de idade. É uma das principais causas de hospitalização em pediatria, especialmente durante os meses de inverno. A transmissão ocorre por contato direto com secreções respiratórias, sendo a frequência à creche um fator de risco importante para exposição. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na história de pródromo viral (coriza, tosse, febre baixa) seguido por desconforto respiratório progressivo, taquipneia, sibilos e estertores à ausculta pulmonar. A hipoxemia é um sinal de gravidade. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é o agente etiológico mais comum, mas outros vírus respiratórios também podem causar o quadro. O tratamento é de suporte, com foco na manutenção da oxigenação e hidratação, e a identificação precoce dos sinais de gravidade é crucial para evitar complicações. O prognóstico da bronquiolite é geralmente bom, mas alguns lactentes podem desenvolver sibilância recorrente na infância. A prevenção inclui medidas de higiene e, em casos de alto risco, a profilaxia com palivizumabe. É fundamental que o residente saiba reconhecer o quadro, avaliar a gravidade e iniciar o manejo adequado, evitando intervenções desnecessárias como antibióticos ou broncodilatadores em casos leves a moderados.
Sinais de bronquiolite grave incluem taquipneia acentuada, retrações intercostais e subdiafragmáticas intensas, batimento de asa de nariz, gemência, cianose e saturação de oxigênio abaixo de 92% em ar ambiente, indicando necessidade de suporte ventilatório.
O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é o agente etiológico mais frequente da bronquiolite aguda, responsável por cerca de 50-80% dos casos. Outros vírus como rinovírus, parainfluenza e adenovírus também podem causar a doença.
A bronquiolite é tipicamente a primeira crise de sibilância em lactentes menores de 1-2 anos, precedida por pródromo viral. Outras causas incluem aspiração de corpo estranho, refluxo gastroesofágico e, mais raramente, asma de início precoce, que geralmente se manifesta com episódios recorrentes.
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