IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2023
Um paciente com três meses de vida e cardiopatia congênita, em uso de digoxina e furosemida, foi levado ao pronto-socorro com história de coriza, espirros e tosse há cinco dias e cansaço há dois dias, com piora progressiva. A mãe negou episódios anteriores de "chiado".Considerando essa situação hipotética, assinale a alternativa correta:
Bronquiolite grave em lactente com cardiopatia congênita: CNAF pode reduzir intubação, mas fisioterapia respiratória não é rotineiramente indicada.
Em lactentes com bronquiolite, especialmente aqueles com fatores de risco como cardiopatia congênita, a cânula nasal de alto fluxo (CNAF) tem se mostrado uma ferramenta eficaz para suporte respiratório, com evidências de redução da necessidade de intubação orotraqueal. No entanto, a fisioterapia respiratória não é recomendada de rotina e a sazonalidade do VSR varia regionalmente.
A bronquiolite aguda é a infecção respiratória baixa mais comum em lactentes, sendo o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) o principal agente etiológico. Em lactentes com cardiopatia congênita, a bronquiolite pode ter um curso mais grave, com maior risco de insuficiência respiratória, internação em UTI e óbito, devido à reserva cardiopulmonar limitada. A epidemiologia do VSR mostra sazonalidade variável no Brasil, com picos em diferentes regiões e épocas do ano, o que é relevante para a profilaxia. O diagnóstico da bronquiolite é clínico, baseado em sintomas de infecção de vias aéreas superiores seguidos por tosse, taquipneia, sibilância e crepitações. Em pacientes de alto risco, a suspeita deve ser alta. A fisiopatologia envolve inflamação e necrose das células epiteliais dos bronquíolos, levando a edema, hipersecreção e obstrução das pequenas vias aéreas. O manejo visa o suporte respiratório e hidratação. O tratamento da bronquiolite é primariamente de suporte. A cânula nasal de alto fluxo (CNAF) tem emergido como uma terapia eficaz para casos moderados a graves, reduzindo o trabalho respiratório e a necessidade de intubação. A profilaxia com palivizumabe é indicada para grupos de alto risco, como lactentes com cardiopatia congênita hemodinamicamente significativa. É importante ressaltar que a fisioterapia respiratória não é recomendada de rotina, e a bronquiolite obliterante é uma complicação rara, mais associada ao Adenovírus do que ao Influenza.
O palivizumabe é indicado para profilaxia de infecção grave por VSR em lactentes com cardiopatia congênita hemodinamicamente significativa, que estejam em tratamento para insuficiência cardíaca ou com hipertensão pulmonar moderada a grave, e que sejam menores de 12 meses no início da estação do VSR.
A cânula nasal de alto fluxo (CNAF) fornece oxigênio aquecido e umidificado com fluxo elevado, gerando uma pressão positiva nas vias aéreas que pode reduzir o trabalho respiratório, melhorar a oxigenação e a ventilação. É uma opção para lactentes com bronquiolite moderada a grave, podendo diminuir a necessidade de intubação.
Em lactentes de alto risco, como os cardiopatas, as complicações da bronquiolite incluem insuficiência respiratória grave, apneia, desidratação, infecções bacterianas secundárias e, em casos raros, bronquiolite obliterante (mais associada ao Adenovírus).
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