Bronquiolite Grave em Lactentes: Diagnóstico e Risco de IR

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2022

Enunciado

Menino de 4 meses de idade, com desenvolvimento pondero-estatural normal, é levado à emergência pediátrica pelos pais, por apresentar piora do desconforto respiratório e diminuição da alimentação. Referem que ele estava bem até ontem, quando iniciou sintomas respiratórios e uma febre baixa. No exame físico, verificou-se palidez e cianose perioral, frequência respiratória de 65mrpm, e sibilos por todo o tórax. A gasometria arterial mostrou pH de 7.15, pCO2 de 65mmHg e bicarbonato de 20 mmoI/L. Qual das explicações a seguir melhor corresponde à condição apresentada pela criança?

Alternativas

  1. A) É provável que a criança apresente refluxo gastroesofágico e uma aspiração.
  2. B) É provável que a criança apresente bronquiolite e esteja em risco para insuficiência respiratória.
  3. C) É provável que a criança tenha bronquiolite e seus sintomas deverão melhorar com 2 ou mais administrações de um agonista beta-2 adrenérgico.
  4. D) O quadro clínico é compatível com sepse bacteriana e, portanto, dever-se-á iniciar antibióticoterapia.

Pérola Clínica

Lactente com desconforto respiratório + sibilos + acidose respiratória = Bronquiolite grave com risco de IR.

Resumo-Chave

O quadro clínico de um lactente com desconforto respiratório agudo, sibilos difusos e gasometria com acidose respiratória e hipercapnia é altamente sugestivo de bronquiolite grave, que pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória. A resposta aos broncodilatadores é limitada e não é a principal linha de tratamento.

Contexto Educacional

A bronquiolite aguda é a infecção respiratória mais comum do trato respiratório inferior em lactentes, geralmente causada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Atinge principalmente crianças menores de 2 anos, com pico de incidência entre 2 e 6 meses de idade, sendo uma das principais causas de hospitalização pediátrica. É crucial para residentes e estudantes de medicina reconhecer a gravidade e as complicações potenciais. A fisiopatologia envolve inflamação e necrose das células epiteliais bronquiolares, levando a edema, produção de muco e obstrução das pequenas vias aéreas. O diagnóstico é clínico, baseado em sintomas como coriza, tosse, febre baixa e, posteriormente, desconforto respiratório com sibilos e crepitações. A gasometria arterial é fundamental para avaliar a gravidade da insuficiência respiratória, indicando acidose e hipercapnia em casos graves. O tratamento da bronquiolite é predominantemente de suporte, focando na manutenção da oxigenação e hidratação. Isso inclui oxigenoterapia, aspiração de secreções e, em casos de insuficiência respiratória progressiva, suporte ventilatório. Agonistas beta-2 adrenérgicos e corticoides não são recomendados de rotina devido à falta de evidências de benefício significativo na maioria dos casos. A prevenção, com a imunoprofilaxia para grupos de risco, é uma medida importante.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de bronquiolite grave em lactentes?

Os sinais de bronquiolite grave incluem taquipneia acentuada, tiragem intercostal e subcostal, batimento de asa de nariz, cianose perioral, gemência e, em casos avançados, letargia e hipoatividade. A gasometria arterial pode revelar acidose respiratória e hipercapnia.

Qual a conduta inicial para um lactente com bronquiolite e sinais de insuficiência respiratória?

A conduta inicial envolve suporte respiratório, que pode incluir oxigenoterapia, aspiração de vias aéreas superiores e, se necessário, ventilação não invasiva ou invasiva. Hidratação e suporte nutricional também são importantes, e a monitorização contínua é fundamental.

Por que os agonistas beta-2 adrenérgicos não são recomendados rotineiramente na bronquiolite?

Os agonistas beta-2 adrenérgicos não são recomendados rotineiramente porque a bronquiolite é primariamente uma inflamação das pequenas vias aéreas e não uma broncoconstrição significativa. Estudos mostram que a maioria dos lactentes não se beneficia desses medicamentos, e seu uso pode levar a efeitos adversos sem melhora clínica.

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