Bronquiolite Grave: Manejo da Hipoxemia em Lactentes

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Menino, 8 meses, apresenta desconforto respiratório progressivo. Mãe relata que há 5 dias iniciou congestão nasal hialina acompanhada de tosse e febre não aferida. Nas últimas horas, evoluiu com piora do quadro. Exame físico: frequência respiratória (FR) = 58irpm; FC = 180bpm; saturação periférica de oxigênio (SpO₂) = 90%; temperatura axilar = 37,5ºC; hipoativo; nível de consciência diminuído; hipocorado; acianótico; perfusão periférica = 4 segundos; sibilos expiratórios esparsos bilateralmente, roncos de transmissão, tempo expiratório prolongado, tiragem subcostal e batimento de aletas nasais. A conduta imediata que modifica o prognóstico desse paciente é:

Alternativas

  1. A) oxigenioterapia por máscara não reinalante (fluxo = 10L/min)
  2. B) indicar intubação orotraqueal
  3. C) realizar nebulização com solução salina hipertônica 3%
  4. D) iniciar prova terapêutica com salbutamol inalatório

Pérola Clínica

Lactente com bronquiolite grave, hipoxemia (SpO2 90%) e nível de consciência ↓ → oxigenioterapia imediata para modificar prognóstico.

Resumo-Chave

Em lactentes com bronquiolite e sinais de gravidade como hipoxemia (SpO2 ≤ 90%), nível de consciência diminuído e perfusão periférica alterada, a oxigenioterapia é a conduta imediata mais importante. Ela corrige a hipoxemia, que é a principal causa de morbimortalidade, e melhora o prognóstico, estabilizando o paciente para outras intervenções.

Contexto Educacional

A bronquiolite aguda é uma infecção viral comum do trato respiratório inferior que afeta lactentes e crianças pequenas, sendo a principal causa de hospitalização em menores de um ano. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é o agente etiológico mais frequente. A doença se manifesta com sintomas de vias aéreas superiores, seguidos por tosse, taquipneia, sibilância e desconforto respiratório. O caso clínico apresentado descreve um lactente de 8 meses com um quadro grave de bronquiolite, evidenciado por FR elevada, taquicardia, SpO2 de 90%, hipoatividade, nível de consciência diminuído e sinais de esforço respiratório intenso. A hipoxemia é a complicação mais grave da bronquiolite e a principal causa de morbimortalidade. A fisiopatologia envolve inflamação e necrose das células epiteliais brônquicas, levando a edema, produção de muco e broncoespasmo, resultando em obstrução das pequenas vias aéreas e aprisionamento de ar. O diagnóstico é clínico, baseado na idade, sintomas e exame físico. O tratamento da bronquiolite é primariamente de suporte. Em pacientes com hipoxemia (SpO2 < 90-92%), a oxigenioterapia é a intervenção mais crítica e que modifica o prognóstico. Ela deve ser iniciada imediatamente para corrigir a hipoxemia e reduzir o trabalho respiratório. Outras medidas, como nebulização com solução salina hipertônica ou broncodilatadores (salbutamol), podem ser consideradas em casos selecionados, mas não são a conduta inicial para um paciente com hipoxemia e alteração do nível de consciência. A intubação orotraqueal é reservada para casos de falência respiratória refratária. Para residentes, é fundamental reconhecer rapidamente os sinais de gravidade e priorizar a oxigenioterapia para garantir a estabilidade do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de gravidade na bronquiolite que indicam necessidade de intervenção imediata?

Sinais de gravidade na bronquiolite incluem frequência respiratória elevada, taquicardia, saturação de oxigênio abaixo de 90-92%, tiragem subcostal e intercostal, batimento de aletas nasais, cianose, letargia, irritabilidade, diminuição do nível de consciência e perfusão periférica lentificada.

Por que a oxigenioterapia é a conduta imediata mais importante em um lactente com hipoxemia grave por bronquiolite?

A hipoxemia é a principal causa de morbimortalidade na bronquiolite. A oxigenioterapia corrige rapidamente a baixa saturação de oxigênio, prevenindo danos cerebrais e cardíacos, reduzindo o trabalho respiratório e melhorando o estado geral do paciente, sendo a medida mais eficaz para modificar o prognóstico em casos graves.

Quando considerar a intubação orotraqueal em um caso de bronquiolite grave?

A intubação orotraqueal é considerada em casos de falência respiratória iminente ou estabelecida, que não respondem à oxigenioterapia e outras medidas de suporte. Isso inclui apneia, exaustão respiratória, hipoxemia refratária, hipercapnia progressiva e deterioração neurológica grave.

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