Bronquiolite Aguda: Critérios de Internação e Manejo

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015

Enunciado

Uma lactente de 8 meses de idade nascida prematuramente com 32 semanas de gestação, é atendida no Pronto Socorro com história de tosse há três dias. A mãe relata que, hoje, a criança está mais pálida, sonolenta e com dificuldades para respirar, a ponto de impedir a ingestão de alimentos. Ao exame físico, a lactente apresenta-se irritada, em regular estado geral, cianótica, afebril, com sibilância e frequência respiratória aumentada para a idade, com tiragem intercostal e subcostal. A radiografia de tórax na posição anteroposterior está reproduzida a seguir (VER IMAGEM). Qual a conduta apropriada nessa situação?

Alternativas

  1. A) Determinar internação para iniciar oxigenoterapia devido aos sinais de gravidade.
  2. B) Determinar internação para início imediato de antibioticoterapia de amplo espectro.
  3. C) Administrar corticosteroides e broncodilatadores e manter em observação no Pronto Socorro.
  4. D) Recomendar retorno ao domicílio, tendo em vista que a família possui inalador para uso de medicação.

Pérola Clínica

Bronquiolite + sinais de desconforto (tiragem, cianose, queda de ingestão) → Internação + O2.

Resumo-Chave

A bronquiolite aguda é um diagnóstico clínico; em casos de desconforto respiratório moderado a grave ou incapacidade de hidratação, a internação para suporte de oxigênio e hidratação é mandatória.

Contexto Educacional

A bronquiolite aguda é a principal causa de hospitalização em lactentes no primeiro ano de vida. O diagnóstico é eminentemente clínico, caracterizado por pródromos virais seguidos de sibilância e desconforto. A radiografia de tórax geralmente mostra sinais de hiperinsuflação e atelectasias, mas não é necessária para o diagnóstico de rotina. O tratamento é de suporte: oxigênio para manter saturação adequada, hidratação (enteral ou venosa se necessário) e limpeza nasal. Antibióticos não têm papel, a menos que haja suspeita fundamentada de infecção bacteriana secundária.

Perguntas Frequentes

Quais são as indicações de internação na bronquiolite aguda?

As indicações incluem sinais de desconforto respiratório moderado a grave (tiragens, batimento de asa de nariz), saturação de oxigênio < 90-92% em ar ambiente, frequência respiratória muito elevada para a idade, episódios de apneia, incapacidade de manter hidratação oral adequada ou ingestão alimentar reduzida (>50%), e fatores de risco como prematuridade extrema ou cardiopatias congênitas. No caso clínico, a lactente apresenta cianose, tiragens e recusa alimentar, o que justifica a internação imediata.

Qual o papel dos broncodilatadores no tratamento da bronquiolite?

O uso de broncodilatadores (como o salbutamol) não é recomendado rotineiramente na bronquiolite aguda, pois a fisiopatologia da doença envolve edema de mucosa e acúmulo de debris celulares, não broncoespasmo muscular liso primário. Embora alguns protocolos permitam um teste terapêutico único, se não houver melhora clínica objetiva, a medicação deve ser suspensa. O foco deve permanecer no suporte de oxigênio, aspiração de vias aéreas superiores e hidratação.

Como a prematuridade influencia o prognóstico da bronquiolite?

Lactentes nascidos prematuramente, especialmente antes de 32-35 semanas, possuem pulmões com menor reserva funcional e vias aéreas de menor calibre. Além disso, podem ter recebido menos anticorpos maternos transplacentários. Isso os coloca em um grupo de altíssimo risco para formas graves de infecção pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), evoluindo rapidamente para insuficiência respiratória e necessidade de ventilação mecânica ou suporte ventilatório não invasivo.

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