HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2023
Criança do sexo masculino de 1 ano de idade apresenta tosse e coriza há 3 dias, evoluindo com desconforto respiratório e baixa aceitação alimentar há 1 dia. Os familiares negam episódios prévios semelhantes. À admissão na emergência, apresenta tiragem subcostal moderada, tiragem intercostal leve, frequência respiratória 52irpm, frequência cardíaca 136bpm e saturação de oxigênio 93% em ar ambiente. À ausculta pulmonar, apresenta murmúrios vesiculares presentes com sibilos expiratórios difusos. Qual é o tratamento que deve ser instituído a seguir?
Bronquiolite em lactente com desconforto respiratório e baixa aceitação alimentar → priorizar hidratação e suporte.
O quadro clínico de tosse, coriza, desconforto respiratório e sibilos em criança de 1 ano, sem episódios prévios, é altamente sugestivo de bronquiolite aguda. O tratamento é primariamente de suporte, e a hidratação é crucial, especialmente em casos de baixa aceitação alimentar e risco de desidratação.
A bronquiolite aguda é uma infecção viral comum do trato respiratório inferior que afeta principalmente lactentes e crianças pequenas, com pico de incidência nos primeiros 6 meses de vida. É caracterizada por inflamação e edema das pequenas vias aéreas, levando a obstrução e desconforto respiratório. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é o agente etiológico mais frequente. O quadro clínico inicia-se com sintomas de infecção de vias aéreas superiores (tosse, coriza), progredindo para taquipneia, tiragens, sibilos expiratórios e, em casos mais graves, cianose e apneia. A saturação de oxigênio pode estar reduzida. A baixa aceitação alimentar é um sinal de gravidade e um fator de risco para desidratação. O tratamento da bronquiolite é primariamente de suporte. Isso inclui oxigenoterapia para manter a saturação acima de 90-92%, aspiração de vias aéreas superiores para remover secreções, e, crucialmente, hidratação adequada. Em crianças com dificuldade de aceitação oral devido ao desconforto respiratório, a hidratação endovenosa é fundamental para prevenir a desidratação. Broncodilatadores, corticoides e antibióticos não são recomendados de rotina, pois não há evidências robustas de benefício na maioria dos casos. O palivizumabe é uma imunoprofilaxia para grupos de alto risco, não um tratamento para a doença aguda.
A principal causa da bronquiolite aguda é o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), responsável por cerca de 70-80% dos casos. Outros vírus, como rinovírus, parainfluenza e adenovírus, também podem causar a doença.
A hidratação é crucial porque crianças com bronquiolite frequentemente apresentam taquipneia e desconforto respiratório, o que dificulta a alimentação oral e aumenta as perdas insensíveis. A baixa aceitação alimentar, como no caso, eleva o risco de desidratação, tornando a hidratação endovenosa uma medida de suporte vital.
Broncodilatadores (como salbutamol) e corticoides (como dexametasona) não são recomendados de rotina na bronquiolite aguda, pois a maioria dos estudos não mostra benefício consistente. Podem ser considerados em casos selecionados com histórico de atopia ou resposta prévia a broncodilatadores, mas não são a primeira linha de tratamento.
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