HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2021
Lactente de 3 meses de idade, previamente hígido, dá entrada no pronto-socorro com história de 2 dias de coriza, tosse e cansaço progressivo. Ao exame, apresenta taquidispneia, com tiragem subdiafragmática e intercostal, ausculta pulmonar com estertores e roncos difusos. Radiografia de tórax com sinais de hiperinsuflação e aumento de trama vasobrônquica. Foram realizadas 2 inalações com soro fisiológico e aspiração nasal, mas o desconforto respiratório permanece e a saturometria se mantêm em 88%, mesmo com nebulização de oxigênio. Nesse momento, está indicado
Lactente com bronquiolite e hipoxemia persistente (SatO2 <90%) apesar de oxigenoterapia e medidas de suporte → indicar ventilação não invasiva (VNI) como CPAP.
A bronquiolite é uma causa comum de desconforto respiratório em lactentes. Quando há hipoxemia persistente ou piora do desconforto respiratório, mesmo com oxigenoterapia e aspiração de vias aéreas, a ventilação não invasiva (VNI), como o CPAP, é a próxima etapa para oferecer suporte ventilatório e evitar a intubação.
A bronquiolite aguda é uma infecção viral comum do trato respiratório inferior em lactentes, frequentemente causada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Caracteriza-se por inflamação e obstrução das pequenas vias aéreas, levando a desconforto respiratório, tosse e sibilância. O diagnóstico é clínico, baseado na idade do paciente (geralmente < 2 anos) e nos sintomas típicos. O manejo é predominantemente de suporte, visando manter a oxigenação e a hidratação adequadas. Em casos de bronquiolite grave, a hipoxemia e o aumento do esforço respiratório podem progredir para insuficiência respiratória. Quando a oxigenoterapia convencional (cateter nasal, máscara) não é suficiente para manter a saturação de oxigênio acima de 90% ou o desconforto respiratório persiste, é necessário escalar o suporte ventilatório. A ventilação não invasiva (VNI), especialmente o CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas), é a próxima etapa indicada. O CPAP ajuda a recrutar alvéolos, reduzir o trabalho respiratório e melhorar a oxigenação, podendo evitar a necessidade de intubação orotraqueal. É fundamental que residentes reconheçam os sinais de falha da terapia inicial e saibam quando indicar a VNI. Terapias farmacológicas como broncodilatadores, corticoides e adrenalina não são rotineiramente recomendadas na bronquiolite, pois sua eficácia é limitada e os potenciais efeitos adversos podem superar os benefícios. O foco deve ser no suporte respiratório e na monitorização contínua do paciente.
Sinais de alerta incluem taquipneia progressiva, tiragem subcostal e intercostal acentuada, batimento de asas nasais, gemência, cianose, letargia e hipoxemia persistente (saturação de oxigênio abaixo de 90%) mesmo com oxigenoterapia suplementar.
A VNI, como o CPAP, está indicada quando há falha da oxigenoterapia convencional, ou seja, hipoxemia persistente ou piora do desconforto respiratório apesar do oxigênio suplementar, aspiração de vias aéreas e outras medidas de suporte, antes de considerar a intubação orotraqueal.
Broncodilatadores (como salbutamol), corticosteroides sistêmicos, adrenalina inalatória e antibióticos não são recomendados rotineiramente para bronquiolite, pois não demonstraram benefício consistente na maioria dos casos. O tratamento é principalmente de suporte.
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