Bronquiolite em Lactentes: Diagnóstico e Manejo de Suporte

HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2021

Enunciado

Lactente de 4 meses de vida é levado ao pronto socorro com história de febre baixa, tosse, ''chiado no peito'' e cansaço há 3 dias. Nascido de parto vaginal, a termo, com peso e estatura adequados à idade gestacional, Apgar 9/10. Em aleitamento materno exclusivo. Ao exame físico: peso atual 6.300 g, estatura 62 cm, frequência respiratória 57 irpm, frequência cardíaca 120 bpm, temperatura axilar 37,8º C. Apresenta-se em bom estado geral, taquipneico, sem sinais de esforço respiratório, ausculta pulmonar: sibilos difusos, tempo expiratório prolongado e presença de estertores subcrepitantes esparsos. Radiografia de tórax evidencia hiperinsuflação pulmonar com retificação de arcos costais, área cardíaca dentro dos limites da normalidade. Quais são o diagnóstico e tratamento mais indicado para o caso?

Alternativas

  1. A) Bronquiolite, suporte
  2. B) Bronquiolite, broncodilatador inalatório
  3. C) Asma brônquica, broncodilatador inalatório 
  4. D) Asma brônquica, corticoide inalatório
  5. E) Pneumonia, antibiótico

Pérola Clínica

Lactente < 1 ano com 1º episódio de sibilância, tosse, taquipneia e hiperinsuflação → Bronquiolite, tratamento suporte.

Resumo-Chave

O quadro clínico de um lactente jovem com febre baixa, tosse, sibilância e taquipneia, associado a achados radiográficos de hiperinsuflação, é altamente sugestivo de bronquiolite. O tratamento para a maioria dos casos de bronquiolite é de suporte, focando na hidratação, oxigenação e desobstrução de vias aéreas, sem indicação rotineira de broncodilatadores ou corticoides.

Contexto Educacional

A bronquiolite aguda é uma infecção viral comum das vias aéreas inferiores, afetando principalmente lactentes menores de dois anos, com pico de incidência entre 2 e 6 meses de idade. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é o principal agente etiológico. A doença é caracterizada por inflamação, edema e necrose das células epiteliais brônquicas, levando à obstrução das pequenas vias aéreas e, consequentemente, a sibilância, tosse e desconforto respiratório. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história de infecção de vias aéreas superiores seguida por tosse, taquipneia e sibilância. Ao exame físico, podem ser encontrados sibilos difusos, tempo expiratório prolongado e estertores subcrepitantes. A radiografia de tórax pode mostrar hiperinsuflação pulmonar com retificação dos arcos costais, mas não é necessária para o diagnóstico de rotina e não altera a conduta na maioria dos casos. O tratamento da bronquiolite é predominantemente de suporte, visando manter a oxigenação e hidratação adequadas. Isso inclui a oferta de oxigênio suplementar se a saturação estiver abaixo de 90-92%, hidratação oral ou intravenosa, e aspiração de secreções nasais. Não há evidências robustas para o uso rotineiro de broncodilatadores, corticoides, antibióticos ou antivirais específicos na maioria dos casos, e seu uso deve ser individualizado e baseado em critérios específicos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para bronquiolite em lactentes?

O diagnóstico de bronquiolite é clínico, baseado em sintomas como rinorreia, tosse, febre baixa, sibilância e taquipneia em lactentes menores de 2 anos, especialmente no primeiro episódio de sibilância. A radiografia de tórax pode mostrar hiperinsuflação, mas não é essencial para o diagnóstico.

Por que o tratamento de suporte é o mais indicado para bronquiolite?

O tratamento de suporte é o mais indicado porque a bronquiolite é uma doença viral autolimitada. As intervenções visam aliviar os sintomas e manter a oxigenação e hidratação adequadas, enquanto o sistema imunológico combate o vírus. Broncodilatadores e corticoides não demonstraram benefício consistente.

Como diferenciar bronquiolite de asma em um lactente?

A bronquiolite é geralmente o primeiro episódio de sibilância em lactentes < 1 ano, frequentemente associada a infecção viral. A asma em lactentes é um diagnóstico de exclusão, considerado em casos de sibilância recorrente, história familiar de atopia ou resposta a broncodilatadores, embora o diagnóstico definitivo seja difícil nessa faixa etária.

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