UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2024
Lactente de nove meses apresenta história de rinorreia, tosse produtiva e cansaço, há três dias. Ao exame físico, afebril, hipocorado ++/++++, prostrado, orofaringe hiperemiada, ausculta sibilos difusos em ambos os hemitórax superiores e taquipneia com esforço respiratório, FR:60 irpm. Mãe relata que foi o primeiro episódio da criança, com cansaço e “chieira”. Com base nesse quadro clínico, a hipótese diagnóstica é
Lactente <1 ano + 1º episódio sibilância + rinorreia + tosse + taquipneia → Bronquiolite aguda.
A bronquiolite aguda é a causa mais comum de sibilância em lactentes menores de 1 ano, especialmente no primeiro episódio. É uma infecção viral das pequenas vias aéreas, frequentemente causada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que leva a inflamação, edema e produção de muco, resultando em obstrução e desconforto respiratório.
A bronquiolite aguda é uma infecção viral comum das vias aéreas inferiores que afeta principalmente lactentes e crianças pequenas, com pico de incidência entre 2 e 6 meses de idade. É a principal causa de hospitalização por doença respiratória em crianças menores de 1 ano. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é o agente etiológico mais frequente, responsável por 50-80% dos casos, mas outros vírus como rinovírus, parainfluenza e adenovírus também podem causar a doença. A fisiopatologia envolve inflamação, edema e necrose do epitélio bronquiolar, levando à obstrução das pequenas vias aéreas por muco e debris celulares. Isso resulta em aprisionamento de ar, atelectasias e desequilíbrio ventilação-perfusão, manifestando-se clinicamente como rinorreia, tosse, taquipneia, sibilância e desconforto respiratório. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na idade do paciente, história de pródromo viral e achados do exame físico. Exames complementares como radiografia de tórax são úteis para excluir outras condições, mas não são diagnósticos de bronquiolite. O tratamento da bronquiolite aguda é primariamente de suporte, visando manter a oxigenação e hidratação adequadas. Isso inclui oxigenoterapia para hipoxemia, hidratação oral ou intravenosa, e aspiração de secreções nasais. Não há evidências consistentes para o uso rotineiro de broncodilatadores, corticoides ou antibióticos, a menos que haja comorbidades ou suspeita de infecção bacteriana secundária. A prevenção com palivizumab é indicada para grupos de alto risco.
Os principais sinais incluem rinorreia, tosse, febre baixa, taquipneia, sibilância, tiragem intercostal e batimento de asas do nariz. Em casos graves, pode haver cianose e apneia.
O tratamento é de suporte, incluindo hidratação adequada, aspiração de secreções nasais e oxigenoterapia se houver hipoxemia. Broncodilatadores e corticoides geralmente não são recomendados de rotina.
A bronquiolite é tipicamente o primeiro episódio de sibilância em lactentes menores de 1 ano, associada a um quadro viral. A asma é um diagnóstico de exclusão em crianças pequenas, geralmente requerendo episódios recorrentes de sibilância e/ou história familiar de atopia.
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