Bronquiolite em Lactentes: Manejo da Doença Leve

SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2020

Enunciado

Neste inverno, Murilo, 6 meses de vida, iniciou com quadro de coriza, tosse e febre baixa por 2 dias. No terceiro dia da doença, apresentou chiado no peito e ficou choroso. Sua mãe o levou à Unidade Básica de Saúde mais próxima. Murilo estava alerta, hidratado e acianótico. Respirava tranquilamente, não apresentava batimento de asa de nariz e nem esforço respiratório, com temperatura de 37,8°C, frequência respiratória de 48 mrm e frequência cardíaca de 96 bpm. Na ausculta foram identificados sibilos difusos, bilateralmente. Assinale a alternativa correta, quanto a abordagem deste quadro:

Alternativas

  1. A) o manejo deve ser realizado no hospital, com oferta de suplementação de O2 e radiografia de tórax para avaliar a possibilidade de pneumonia
  2. B) deve-se tranquilizar a mãe, dizendo que provavelmente não se trata de doença grave, e recomendar soro fisiológico nasal e ingesta hídrica adequada
  3. C) para melhorar os sintomas e evitar internações está recomendado rotineiramente o inicio de corticosteroide sistêmico intravenoso, seguido por via oral domiciliar
  4. D) o uso de solução salina hipertônica (3%) não tem mostrado resultados positivos em relação à diminuição da gravidade e ao tempo de internação e não é superior ao uso de soro fisiológico a 0,9%

Pérola Clínica

Bronquiolite leve em lactente → manejo domiciliar com soro fisiológico nasal e hidratação.

Resumo-Chave

O quadro clínico de Murilo, um lactente de 6 meses com coriza, tosse, febre baixa e sibilos difusos, sem sinais de esforço respiratório ou hipoxemia, é compatível com bronquiolite leve. Nesses casos, a abordagem é de suporte, focando na desobstrução das vias aéreas superiores com soro fisiológico e manutenção da hidratação, sem necessidade de internação ou intervenções farmacológicas agressivas.

Contexto Educacional

A bronquiolite é uma infecção viral aguda das vias aéreas inferiores, comum em lactentes, especialmente no inverno, sendo o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) o principal agente etiológico. É uma das principais causas de internação hospitalar em crianças menores de um ano, exigindo do residente um conhecimento aprofundado sobre seu diagnóstico e manejo. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história de pródromos de infecção de vias aéreas superiores, seguidos por tosse, taquipneia e sibilância. A ausculta pulmonar revela sibilos e crepitantes. A avaliação da gravidade é fundamental para definir a conduta, observando o nível de consciência, hidratação, esforço respiratório e saturação de oxigênio. O tratamento da bronquiolite é primariamente de suporte. Em casos leves, como o de Murilo, medidas como lavagem nasal com soro fisiológico, hidratação adequada e monitoramento domiciliar são suficientes. Não há evidências para o uso rotineiro de broncodilatadores, corticosteroides, antibióticos ou solução salina hipertônica em todos os casos. A suplementação de oxigênio é indicada para hipoxemia, e a internação para casos moderados a graves.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de bronquiolite em lactentes?

Os sinais típicos de bronquiolite em lactentes incluem coriza, tosse, febre baixa, sibilância, taquipneia e, em casos mais graves, esforço respiratório como batimento de asa de nariz e tiragens. Geralmente, inicia-se com sintomas de resfriado comum.

Qual a conduta inicial para bronquiolite leve em bebês?

Para bronquiolite leve, a conduta inicial é de suporte, incluindo lavagem nasal com soro fisiológico para desobstrução das vias aéreas, oferta de líquidos para manter a hidratação e monitoramento dos sinais de piora. Não há indicação rotineira de broncodilatadores ou corticoides.

Quando a bronquiolite em lactentes requer internação hospitalar?

A internação hospitalar é indicada em casos de bronquiolite com sinais de gravidade, como esforço respiratório significativo, taquipneia acentuada, hipoxemia (saturação de O2 < 90-92%), desidratação, apneia ou lactentes com fatores de risco como prematuridade e cardiopatia congênita.

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