Acalásia: Diagnóstico e Exames Essenciais para Residentes

FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 42 anos, sexo masculino, branco, natural do município do Rio de Janeiro, há 5 meses com quadro de emagrecimento acentuado, com perda ponderal de 15 kg, dificuldade diária para engolir alimentos inicialmente sólidos, agora evoluindo com disfagia também para pastosos. Ao exame: emagrecido, corado, anictérico, eupneico e afebril. Exame cardiovascular e respiratório sem anormalidades; abdome escavado, indolor a palpação, fígado e baço impalpáveis. Qual a melhor hipótese diagnóstica e os principais exames diagnósticos?

Alternativas

  1. A) Espasmo difuso do esôfago; Raio X contrastado do esôfago e TC de tórax.
  2. B) Acalásia; Esofagomanometria e endoscopia digestiva alta.
  3. C) Doença do refluxo gastro-esofágico; TC de tórax e raio x contrastado de esôfago.
  4. D) Tumor de mediastino; endoscopia digestiva alta e Esofagomanometria.

Pérola Clínica

Disfagia progressiva (sólidos → pastosos) + perda peso = Acalásia (Dx: Manometria + EDA).

Resumo-Chave

Acalásia é uma doença motora esofágica caracterizada por disfagia progressiva (inicialmente para sólidos, depois para líquidos/pastosos) e perda de peso. A esofagomanometria é o padrão-ouro para o diagnóstico, avaliando a motilidade esofágica, e a endoscopia digestiva alta é essencial para excluir outras causas de disfagia e avaliar complicações.

Contexto Educacional

A disfagia é um sintoma alarmante que requer investigação cuidadosa, especialmente quando progressiva e associada a perda de peso. A acalásia é uma doença motora primária do esôfago caracterizada pela falha no relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI) e pela ausência de peristalse no corpo esofágico. Sua etiologia é multifatorial, incluindo a destruição dos neurônios do plexo mioentérico de Auerbach, e pode estar associada à doença de Chagas em regiões endêmicas. O quadro clínico típico da acalásia inclui disfagia progressiva (inicialmente para sólidos, evoluindo para pastosos e líquidos), regurgitação de alimentos não digeridos, dor torácica e perda de peso significativa. A história clínica detalhada é crucial para levantar a suspeita. O diagnóstico da acalásia é confirmado pela esofagomanometria de alta resolução, que demonstra a ausência de relaxamento do EEI e a aperistalse esofágica. A endoscopia digestiva alta é indispensável para excluir causas mecânicas de obstrução e para avaliar o esôfago, enquanto o esofagograma baritado pode mostrar o clássico "bico de pássaro" no EEI e dilatação esofágica. O tratamento visa aliviar os sintomas e prevenir complicações, incluindo dilatação pneumática, miotomia de Heller laparoscópica ou, mais recentemente, miotomia endoscópica peroral (POEM).

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da acalásia?

Os principais sintomas da acalásia incluem disfagia progressiva (inicialmente para sólidos, depois para líquidos), regurgitação de alimentos não digeridos, dor torácica e perda de peso significativa.

Qual o papel da esofagomanometria no diagnóstico da acalásia?

A esofagomanometria é o padrão-ouro para o diagnóstico da acalásia, pois avalia a motilidade esofágica, identificando a ausência de relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI) e a aperistalse do corpo esofágico.

Por que a endoscopia digestiva alta é importante na suspeita de acalásia?

A endoscopia digestiva alta é fundamental para excluir outras causas de disfagia, como estenoses, tumores ou esofagite, e para avaliar o grau de dilatação esofágica e a presença de complicações como esofagite de estase.

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