Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2015
Executivo de uma multinacional é encaminhado pelo médico do trabalho para o serviço de emergência devido à queixa de cansaço e fadiga e eletrocardiograma evidenciando bradicardia sinusal com frequência cardíaca de 49 bpm. Paciente refere ser triatleta há 10 anos, e no último mês tem enfrentado jornada de trabalho de 12 horas diárias. Traz um Holter recente com frequência cardíaca média de 54 bpm na vigília e 42 bpm no sono, e hormônio tireoestimulante (TSH) normal. Qual das seguintes condutas constitui o manejo mais adequado para este paciente?
Bradicardia sinusal em atleta assintomático com TSH normal → Fisiológica → Nenhum tratamento específico.
A bradicardia sinusal é uma condição comum e fisiológica em atletas bem condicionados, devido ao aumento do tônus vagal e hipertrofia cardíaca. A ausência de sintomas significativos (apesar da queixa de cansaço e fadiga, que pode ser multifatorial e não diretamente ligada à bradicardia) e o TSH normal confirmam que não há necessidade de intervenção específica para a bradicardia.
A bradicardia sinusal é definida como uma frequência cardíaca abaixo de 60 batimentos por minuto. Embora possa ser um sinal de doença cardíaca ou outras condições médicas, em indivíduos fisicamente condicionados, como atletas, é frequentemente uma manifestação fisiológica do 'coração de atleta'. O coração de atleta é uma adaptação cardiovascular ao treinamento físico intenso e prolongado, caracterizada por aumento do tônus vagal e, em alguns casos, hipertrofia ventricular. Essas adaptações resultam em maior eficiência cardíaca, permitindo que o coração bombeie mais sangue com menos batimentos. A bradicardia sinusal em atletas geralmente é assintomática ou associada a sintomas inespecíficos que não são diretamente causados pela baixa frequência cardíaca, como a fadiga e o cansaço relatados, que podem ser atribuídos ao excesso de treinamento ou estresse. O manejo da bradicardia sinusal em atletas assintomáticos, com exames complementares (como Holter e TSH) dentro da normalidade para o contexto atlético, é expectante. Não há necessidade de tratamento específico, como implante de marca-passo ou outras intervenções, pois a condição é benigna e reflete um excelente condicionamento físico. É crucial que o médico saiba diferenciar a bradicardia fisiológica da patológica para evitar intervenções desnecessárias e tranquilizar o paciente.
Além da bradicardia sinusal, o ECG de atletas pode apresentar bloqueio atrioventricular de primeiro grau, bloqueio de ramo incompleto, repolarização precoce, aumento da voltagem do QRS (hipertrofia ventricular) e, ocasionalmente, arritmias atriais benignas.
A bradicardia requer investigação se for acompanhada de sintomas como síncope, pré-síncope, dispneia desproporcional ao esforço, dor torácica ou fadiga extrema que não melhora com o repouso. Também se houver evidência de doença cardíaca estrutural ou disfunção do nó sinusal.
O TSH é importante para descartar hipotireoidismo, uma causa reversível de bradicardia. Níveis normais de TSH, como no caso, indicam que a função tireoidiana está normal e não é a causa da bradicardia.
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