Bradicardia Sintomática Pediátrica: Quando Iniciar Compressões?

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2022

Enunciado

Escolar, sexo masculino, 8 anos de idade, dá entrada na sala de emergência por quadro de rebaixamento do nível de consciência há 10 minutos. Na chegada, paciente não responde aos estímulos, apresenta pulso central presente e lentificado e com ritmo respiratório regular. Apresenta vias aéreas pérvias, frequência respiratória de 16 irpm, saturação de oxigênio de 92%. Oferecido oxigênio em máscara não-reinalante, com aumento da saturação para 95%. Obtido acesso venoso e instalada monitorização, com frequência cardíaca de 55 bpm, pressão arterial de 72 x 48 mmHg. Pulsos periféricos finos, tempo de enchimento capilar de 5 segundos, glicemia capilar de 98 mg/dL. Tentado realizar ventilação com dispositivo bolsa-valva-máscara, sem mudança dos parâmetros. O próximo passo a ser realizado é:

Alternativas

  1. A) Iniciar compressões torácicas.
  2. B) Administrar atropina endovenosa.
  3. C) Realizar cardioversão elétrica sincronizada.
  4. D) Infundir soro fisiológico 20 mL/kg.
  5. E) Transferir para serviço cardiológico de referência.

Pérola Clínica

Criança com bradicardia sintomática (<60 bpm), má perfusão e sem melhora com ventilação → Iniciar compressões torácicas.

Resumo-Chave

Em pediatria, a bradicardia com frequência cardíaca abaixo de 60 bpm, acompanhada de sinais de má perfusão (hipotensão, TEC prolongado, rebaixamento do nível de consciência) e que não responde à ventilação e oxigenação adequadas, é considerada uma emergência que exige o início imediato de compressões torácicas. Isso se deve ao fato de que, em crianças, a bradicardia é frequentemente um prenúncio de parada cardíaca iminente ou já estabelecida.

Contexto Educacional

A bradicardia em pediatria é um sinal de alerta grave, frequentemente um precursor de parada cardiorrespiratória. Ao contrário dos adultos, onde a parada cardíaca é predominantemente de origem cardíaca, em crianças, a principal causa é a insuficiência respiratória ou choque, que levam à hipóxia e acidose, resultando em bradicardia. A identificação precoce e o manejo agressivo são cruciais para melhorar os desfechos. No cenário de emergência, uma criança com rebaixamento do nível de consciência, bradicardia (FC < 60 bpm), hipotensão e sinais de má perfusão (pulsos finos, TEC > 3 segundos) está em choque e com risco iminente de parada cardíaca. A saturação de oxigênio de 92% (melhorando para 95% com O2) e a frequência respiratória de 16 irpm indicam que a oxigenação e ventilação foram otimizadas, mas a bradicardia e a má perfusão persistem. A tentativa de ventilação com bolsa-valva-máscara sem melhora dos parâmetros reforça a gravidade do quadro. De acordo com as diretrizes de Suporte Avançado de Vida em Pediatria (PALS), quando uma criança apresenta bradicardia com FC inferior a 60 bpm, acompanhada de sinais de má perfusão e que não responde à oxigenação e ventilação, o próximo passo essencial é iniciar as compressões torácicas. As compressões visam manter um fluxo sanguíneo mínimo para órgãos vitais enquanto a causa subjacente é investigada e tratada. A atropina e a cardioversão elétrica sincronizada não são as condutas iniciais para este cenário de bradicardia sintomática com má perfusão e sem ritmo de taquiarritmia.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de bradicardia sintomática em crianças?

A bradicardia sintomática em crianças é caracterizada por uma frequência cardíaca abaixo de 60 bpm, acompanhada de sinais de má perfusão, como rebaixamento do nível de consciência, hipotensão, pulsos periféricos finos, tempo de enchimento capilar prolongado (>3 segundos) e pele fria e pálida.

Quando as compressões torácicas devem ser iniciadas em uma criança com bradicardia?

As compressões torácicas devem ser iniciadas imediatamente em uma criança com bradicardia sintomática (FC < 60 bpm) que apresenta sinais de má perfusão e que não respondeu à ventilação e oxigenação adequadas. Esta é uma etapa crítica para prevenir a progressão para a parada cardíaca total.

Por que a atropina não é a primeira escolha para bradicardia sintomática em crianças?

Em crianças, a bradicardia é mais frequentemente causada por hipóxia e acidose, e não por disfunção vagal primária. Portanto, a prioridade é otimizar a oxigenação e ventilação, e iniciar compressões torácicas se a FC for < 60 bpm com má perfusão. A atropina pode ser considerada em casos de bradicardia primária ou bloqueio AV, mas não é a conduta inicial para a maioria dos casos de bradicardia sintomática pediátrica.

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