Bradicardia em IAM Inferior: Manejo com Atropina

SMA Volta Redonda - Secretaria Municipal de Saúde (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Homem de 47 anos é internado no CTI com diagnóstico de infarto agudo do miocárdio de parede inferior. A frequência cardíaca é de 36 bpm e a pressão arterial é de 95x50 mmHg. O ECG mostra bloqueio cardíaco AV Mobitz I. A melhor conduta imediata é:

Alternativas

  1. A) Administração de lidocaína
  2. B) Administração de amiodarona
  3. C) Administração de atropina
  4. D) Colocação de marcapasso transvenoso
  5. E) Observação

Pérola Clínica

Bradicardia sintomática (hipotensão) por BAV Mobitz I em IAM inferior → Atropina é a conduta inicial.

Resumo-Chave

Em pacientes com infarto agudo do miocárdio de parede inferior, a bradicardia e o bloqueio AV Mobitz I são frequentemente causados por aumento do tônus vagal e isquemia do nó AV. Se sintomáticos (como hipotensão), a atropina é a droga de primeira escolha para reverter esses efeitos e melhorar a frequência cardíaca e a pressão arterial.

Contexto Educacional

O infarto agudo do miocárdio (IAM) de parede inferior é frequentemente associado a bradicardias e bloqueios atrioventriculares (BAV), especialmente o BAV Mobitz I (Wenckebach). Isso ocorre devido à isquemia do nó AV, que é comumente suprido pela artéria coronária direita (responsável pela irrigação da parede inferior), e ao aumento do tônus vagal reflexo. Embora muitas vezes transitórias, essas arritmias podem levar a instabilidade hemodinâmica, como hipotensão, exigindo intervenção imediata. A bradicardia sintomática, definida pela presença de sinais de hipoperfusão (como hipotensão, alteração do nível de consciência, dor torácica isquêmica ou insuficiência cardíaca aguda), requer tratamento. A atropina é a droga de primeira escolha para bradicardias sintomáticas, especialmente aquelas associadas a aumento do tônus vagal ou disfunção do nó AV, como o BAV Mobitz I. Sua ação anticolinérgica bloqueia o efeito do nervo vago no coração, aumentando a frequência cardíaca e a condução AV. A dose inicial de atropina é de 0,5 mg IV, podendo ser repetida a cada 3-5 minutos até uma dose total de 3 mg. Se a atropina for ineficaz ou se o paciente apresentar bradicardia persistente com instabilidade hemodinâmica ou bloqueios AV de alto grau (Mobitz II ou BAVT), outras medidas como a estimulação transcutânea ou a colocação de marcapasso transvenoso devem ser consideradas. No entanto, a atropina é a conduta imediata e menos invasiva para o cenário descrito.

Perguntas Frequentes

Por que a bradicardia é comum no infarto agudo do miocárdio de parede inferior?

A parede inferior do miocárdio é suprida pela artéria coronária direita, que também irriga o nó atrioventricular (AV). A isquemia nessa região pode levar a disfunção do nó AV e aumento do tônus vagal, resultando em bradicardia e bloqueios AV.

Qual o mecanismo de ação da atropina na bradicardia?

A atropina é um anticolinérgico que bloqueia os receptores muscarínicos, inibindo a ação do nervo vago no coração. Isso resulta em aumento da frequência cardíaca e melhora da condução AV, sendo eficaz em bradicardias de origem vagal.

Quando o marcapasso transvenoso é indicado para bradicardia no IAM?

O marcapasso transvenoso é indicado se a atropina falhar em elevar a frequência cardíaca e melhorar a hemodinâmica, ou em casos de bloqueios AV de alto grau (Mobitz II, BAVT) que não respondem à terapia farmacológica e causam instabilidade hemodinâmica.

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