FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2021
Mulher, 63 anos de idade, admitida na sala de emergência com quadro de confusão mental e letargia há duas horas. Relatou também episódio de tontura ao se levantar da cama. Previamente independente para atividades básicas e instrumentais da vida diária. Com diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica há 10 anos, infarto agudo do miocárdio há 3 anos. Faz uso de amlodipina 10mg por dia, AAS 100mg por dia e atorvastatina 40mg por dia. Ao exame clínico: abertura ocular ao chamado, resposta verbal confusa e obediência aos comandos. Frequência cardíaca: 38 batimentos/minuto; pressão arterial: 92 x 66 mmHg; frequência respiratória: 20 incursões/minuto; Saturação de O2: 96% em ar ambiente. Sem outras alterações. Foi obtido um eletrocardiograma de 12 derivações, reproduzido a seguir: Qual é a primeira conduta terapêutica que deve ser adotada neste momento?
Bradicardia sintomática com instabilidade hemodinâmica → Atropina IV em bolus é a primeira conduta.
A paciente apresenta bradicardia (FC 38 bpm) com sinais de instabilidade hemodinâmica (confusão mental, letargia, tontura, hipotensão 92x66 mmHg). Nesses casos, a primeira linha de tratamento, conforme as diretrizes de ACLS, é a atropina intravenosa.
A bradicardia é definida como uma frequência cardíaca inferior a 60 batimentos por minuto. No entanto, a importância clínica reside na presença de sintomas e sinais de instabilidade hemodinâmica, como hipotensão, alteração do nível de consciência, dor torácica isquêmica ou sinais de choque. A identificação rápida da bradicardia sintomática é crucial para evitar desfechos adversos. A fisiopatologia da bradicardia pode envolver disfunção do nó sinusal, bloqueios atrioventriculares ou efeitos de medicamentos (como betabloqueadores ou bloqueadores dos canais de cálcio). Em um cenário de emergência, a avaliação inicial deve focar na ABC e na identificação de sinais de instabilidade. O eletrocardiograma de 12 derivações é fundamental para determinar o tipo de bradicardia. A conduta terapêutica inicial para bradicardia sintomática com instabilidade hemodinâmica, conforme as diretrizes do ACLS, é a administração de atropina intravenosa. Se a atropina for ineficaz ou contraindicada (ex: bloqueio AV de alto grau), outras opções incluem estimulação cardíaca transcutânea, infusão de dopamina ou epinefrina. É um erro comum atrasar o tratamento ou optar por vasopressores antes da atropina em casos de bradicardia instável.
Sinais de instabilidade incluem hipotensão, choque, sinais de hipoperfusão (confusão mental, letargia, pele fria e pegajosa), dor torácica isquêmica e insuficiência cardíaca aguda.
A dose inicial de atropina é de 1 mg IV em bolus, podendo ser repetida a cada 3-5 minutos, com dose máxima total de 3 mg.
Se a atropina não for eficaz, deve-se considerar a estimulação cardíaca transcutânea (marcapasso transcutâneo), infusão de dopamina ou epinefrina, ou consulta com especialista para marcapasso transvenoso.
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