SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2022
Mulher, 52 de anos de idade, é atendida pelo SAMU após episódio de síncope, há cerca de uma hora e meia. O episódio foi precedido por mal estar e sensação de escurecimento da visão, seguido por abalos musculares presenciados pelos familiares. De antecedentes refere diabetes mellitus em tratamento irregular. Ao exame físico, apresenta-se afebril, com FC: 34bpm, PA: 86x52mmHg, SatO2: 94%, glicemia capilar de 210mg/dL. Ausculta cardíaca com bulhas rítmicas, bradicárdicas, em 2 tempos, sem sopros. Ausculta respiratória sem alterações. Realizado eletrocardiograma, com frequência cardíaca de 30bpm e ondas P dissociadas dos complexos QRS. Diante do quadro clínico,Indique o procedimento terapêutico específico de escolha que pode ser realizado pelo SAMU, nesse caso.
Bradicardia sintomática (síncope, hipotensão) com BAV completo → marcapasso transcutâneo ou atropina se não houver contraindicação.
A paciente apresenta bradicardia extrema (FC 34bpm) com sinais de hipoperfusão (síncope, hipotensão) e ECG compatível com BAV completo (ondas P dissociadas dos QRS). Nesses casos, a prioridade é restaurar uma frequência cardíaca adequada para manter a perfusão cerebral e sistêmica.
A bradicardia sintomática é uma emergência cardiológica que exige reconhecimento rápido e intervenção imediata para prevenir danos orgânicos por hipoperfusão. É definida por uma frequência cardíaca lenta associada a sintomas como síncope, hipotensão, alteração do nível de consciência ou sinais de choque. O bloqueio atrioventricular (BAV) completo, caracterizado pela dissociação total entre as ondas P e os complexos QRS no ECG, é uma causa comum e grave de bradicardia sintomática. A fisiopatologia do BAV completo envolve a interrupção completa da condução do impulso elétrico dos átrios para os ventrículos, levando a um ritmo de escape ventricular lento e ineficaz. O diagnóstico é feito pelo ECG, que mostra ondas P regulares, mas sem relação com os QRS, que são também regulares, mas com frequência muito baixa. A suspeita deve surgir em pacientes com síncope, tontura, fadiga ou hipotensão. O tratamento de emergência, conforme as diretrizes do ACLS, para bradicardia sintomática e instável, inicia-se com suporte básico de vida e oxigenação. Farmacologicamente, a atropina é a primeira escolha, mas sua eficácia é limitada em BAVs de alto grau. Nesses casos, o marcapasso transcutâneo é a intervenção de escolha para restaurar uma frequência cardíaca adequada. Outras opções incluem infusão de dopamina ou epinefrina, e em casos refratários, marcapasso transvenoso.
Os critérios incluem hipotensão, alteração aguda do estado mental, sinais de choque, desconforto torácico isquêmico e insuficiência cardíaca aguda. A presença de qualquer um desses indica a necessidade de intervenção imediata.
A conduta inicial envolve suporte ventilatório e oxigenação, acesso venoso, e administração de atropina. Se a atropina for ineficaz ou contraindicada, deve-se considerar marcapasso transcutâneo ou infusão de dopamina/epinefrina.
O marcapasso transcutâneo é indicado para pacientes com bradicardia sintomática e instável que não respondem à atropina, ou em casos de bloqueios atrioventriculares de alto grau (como BAV completo) onde a atropina é menos provável de ser eficaz.
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