Bradicardia Sintomática Estável: Conduta e Marcapasso

UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 61 anos, solteira, procura um pronto atendimento de uma unidade hospitalar após perceber, de forma ocasional, uma redução da sua frequência cardíaca. Dá entrada na unidade com frequência cardíaca de 40bpm, PA de 120x80mmHg, tempo de enchimento capilar de um segundo, consciente, negando dispneia ou dor torácica. Após avaliação do D2 longo no ECG, qual é a conduta imediata?

Alternativas

  1. A) Monitorizar e administrar atropina.
  2. B) Monitorizar e programar passagem de marcapasso definitivo.
  3. C) Monitorizar e passar marcapasso transvenoso.
  4. D) Monitorizar e iniciar dopamina em BIC.

Pérola Clínica

Bradicardia estável e sintomática (crônica) → Monitorizar e programar marcapasso definitivo. Atropina/pacing temporário para instabilidade.

Resumo-Chave

Em pacientes com bradicardia sintomática, mas hemodinamicamente estáveis (sem sinais de choque, hipotensão, isquemia ou insuficiência cardíaca aguda), a conduta imediata é monitorizar e investigar a causa. Se a bradicardia for crônica e sintomática, sem reversibilidade, a indicação é de marcapasso definitivo. Atropina e marcapasso transvenoso são para bradicardia instável.

Contexto Educacional

A bradicardia é definida como uma frequência cardíaca abaixo de 60 batimentos por minuto, mas sua relevância clínica depende da presença de sintomas e da estabilidade hemodinâmica do paciente. A avaliação inicial de um paciente bradicárdico deve focar na identificação de sinais de instabilidade, como hipotensão, choque, alteração do nível de consciência, dor torácica isquêmica ou insuficiência cardíaca aguda. A presença desses sinais exige intervenção imediata para reverter a bradicardia e estabilizar o paciente. No caso apresentado, a paciente, apesar da bradicardia acentuada (40 bpm), está hemodinamicamente estável (PA 120x80 mmHg, TPC 1s, consciente, sem dispneia ou dor torácica). Isso é crucial para determinar a conduta. Em pacientes estáveis, a abordagem é mais conservadora, focando na monitorização, investigação da causa subjacente e planejamento de tratamento definitivo, se necessário. A percepção ocasional de redução da frequência cardíaca sugere uma condição crônica, não uma emergência aguda com risco iminente. Para bradicardias crônicas e sintomáticas que não são reversíveis (por exemplo, por medicamentos ou distúrbios eletrolíticos), a indicação é de implante de marcapasso definitivo. Atropina e marcapasso transvenoso são terapias de resgate para bradicardia instável. A dopamina em BIC não é a primeira escolha para bradicardia, sendo mais utilizada em choque cardiogênico ou séptico. Portanto, a conduta correta para uma paciente estável com bradicardia sintomática crônica é monitorizar e programar a passagem de marcapasso definitivo.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de instabilidade hemodinâmica em um paciente com bradicardia?

Os critérios de instabilidade incluem hipotensão (PA sistólica < 90 mmHg), alteração aguda do nível de consciência, sinais de choque (pele fria e pegajosa, TPC > 2s), dor torácica isquêmica e sinais de insuficiência cardíaca aguda (congestão pulmonar).

Quando a atropina é a conduta imediata na bradicardia?

A atropina é a droga de primeira linha para bradicardia sintomática quando o paciente apresenta instabilidade hemodinâmica. A dose usual é de 0,5 mg IV, podendo ser repetida a cada 3-5 minutos, até uma dose máxima de 3 mg.

Qual a diferença entre marcapasso temporário e definitivo na bradicardia?

O marcapasso temporário (transcutâneo ou transvenoso) é usado em situações de emergência para bradicardia instável, como ponte para uma solução mais permanente. O marcapasso definitivo é implantado para tratamento de bradicardias crônicas e sintomáticas que não são reversíveis e causam comprometimento clínico significativo.

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