Bradicardia Sintomática: Manejo Inicial e Uso da Atropina

Santa Casa de Araçatuba (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 74 anos, com queixa de dispneia e intolerância aos esforços há 3 dias, com episódio de síncope e levada ao pronto-socorro de um hospital terciário, com PA=78x54 mmHg, frequência cardíaca de 35bpm irregular, transferida para a sala de emergência, instalado oxigenioterapia e realizada monitorização eletrocardiográfica abaixo: Indique a melhor conduta inicial dentre as alternativas abaixo:

Alternativas

  1. A) Cardioversão Elétrica Sincronizada.
  2. B) Atropina 1mg.
  3. C) Amiodarona 150mg.
  4. D) Adrenalina 1mg.

Pérola Clínica

Bradicardia sintomática (hipotensão, síncope, dispneia) → Atropina 1mg IV como conduta inicial.

Resumo-Chave

Pacientes com bradicardia e sinais de instabilidade hemodinâmica (hipotensão, síncope, dispneia, choque) necessitam de tratamento imediato. A atropina é a primeira escolha para bradicardia sintomática, pois aumenta a frequência cardíaca ao bloquear o tônus vagal. Se não houver resposta, outras medidas como marcapasso transcutâneo devem ser consideradas.

Contexto Educacional

A bradicardia sintomática é uma emergência cardiológica que ocorre quando a frequência cardíaca lenta compromete o débito cardíaco, levando a sinais e sintomas de hipoperfusão orgânica. É mais comum em idosos e pode ser causada por disfunção do nó sinusal, bloqueios atrioventriculares ou efeitos de medicamentos. A identificação rápida da instabilidade hemodinâmica é crucial para o manejo adequado e para prevenir desfechos adversos como choque cardiogênico ou parada cardíaca. Os sinais de instabilidade incluem hipotensão, síncope, dispneia, dor torácica isquêmica e alteração do nível de consciência. O diagnóstico é feito pela avaliação clínica e eletrocardiográfica. O algoritmo de bradicardia do ACLS (Advanced Cardiovascular Life Support) orienta a conduta. A atropina é o fármaco de primeira linha para bradicardia sintomática, atuando como um agente parassimpaticolítico que aumenta a frequência de descarga do nó sinusal e a condução atrioventricular. A dose inicial de atropina é de 1 mg IV, podendo ser repetida até uma dose total de 3 mg. Se a atropina for ineficaz ou se a bradicardia for de alto grau, outras opções incluem o marcapasso transcutâneo, infusão de dopamina ou epinefrina, e em casos refratários, o marcapasso transvenoso. É fundamental monitorar continuamente o paciente e estar preparado para escalonar o tratamento conforme a resposta clínica.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de instabilidade hemodinâmica em um paciente com bradicardia?

Os sinais de instabilidade incluem hipotensão (PA sistólica <90 mmHg), alteração aguda do estado mental, sinais de choque, dor torácica isquêmica e insuficiência cardíaca aguda.

Qual a dose e via de administração da atropina para bradicardia sintomática?

A dose recomendada é de 1 mg IV, podendo ser repetida a cada 3-5 minutos, com dose máxima total de 3 mg.

Quando o marcapasso transcutâneo deve ser considerado na bradicardia?

O marcapasso transcutâneo é indicado se a atropina for ineficaz ou se a bradicardia for de alto grau (ex: bloqueio AV de segundo grau tipo Mobitz II ou terceiro grau) e o paciente estiver instável.

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