Bradicardia Sintomática em Idosos: Qual Medicação Causa?

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 77 anos de idade, antecedentes de diabetes, hipertensão arterial e insuficiência cardíaca, em uso de anlodipino (10 mg/dia), bisoprolol (20 mg/dia), losartana (50 mg/dia), gliclazida (60 mg/dia) e atorvastatina (20 mg/dia), evolui com bradicardia sintomática. Exames séricos: creatinina: 1,1 mg/dL, glicemia: 168 mg/dL, potássio: 4,7 mEq/L. O medicamento que mais provavelmente pode justificar essa complicação é o(a)

Alternativas

  1. A) anlodipino.
  2. B) atorvastatina.
  3. C) bisoprolol.
  4. D) gliclazida.
  5. E) losartana.

Pérola Clínica

Betabloqueadores (ex: bisoprolol) são causa comum de bradicardia sintomática, especialmente em idosos polimedicados.

Resumo-Chave

O bisoprolol é um betabloqueador seletivo beta-1, frequentemente usado para insuficiência cardíaca e hipertensão. Seu principal efeito colateral cardíaco é a bradicardia, que pode ser sintomática, especialmente em idosos com comorbidades e polimedicação, justificando a redução ou suspensão da dose.

Contexto Educacional

A bradicardia sintomática em pacientes idosos polimedicados é uma preocupação clínica comum, exigindo uma investigação cuidadosa da etiologia. Frequentemente, a causa reside nos medicamentos em uso, especialmente aqueles com ação cardiovascular. O paciente do caso, com diabetes, hipertensão e insuficiência cardíaca, utiliza uma gama de fármacos que podem interagir ou ter efeitos adversos que afetam a frequência cardíaca. O bisoprolol é um betabloqueador seletivo beta-1, amplamente prescrito para o tratamento de insuficiência cardíaca crônica e hipertensão arterial. Sua ação principal é reduzir a frequência cardíaca, a contratilidade miocárdica e a condução atrioventricular. Embora esses efeitos sejam terapêuticos, doses elevadas ou a sensibilidade individual, especialmente em idosos, podem levar a uma bradicardia excessiva e sintomática. Outros medicamentos como anlodipino (bloqueador de canal de cálcio diidropiridínico) e losartana (bloqueador do receptor de angiotensina II) geralmente não causam bradicardia significativa. Gliclazida (hipoglicemiante) e atorvastatina (estatina) também não são conhecidas por induzir bradicardia. Diante de uma bradicardia sintomática em um paciente em uso de bisoprolol, a conduta inicial geralmente envolve a redução da dose ou a suspensão temporária do medicamento, se clinicamente apropriado e sob supervisão médica. É fundamental revisar toda a lista de medicamentos do paciente para identificar possíveis interações ou efeitos aditivos que possam estar contribuindo para a bradicardia. A avaliação da necessidade de marcapasso é reservada para casos refratários ou com bradicardia grave persistente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas de bradicardia sintomática?

Os sintomas incluem tontura, síncope, fadiga, dispneia, dor torácica, confusão mental e hipotensão, resultantes da redução do débito cardíaco.

Como o bisoprolol causa bradicardia?

O bisoprolol é um betabloqueador que age bloqueando os receptores beta-1 adrenérgicos no coração, diminuindo a frequência de disparo do nó sinoatrial e a condução atrioventricular, resultando em redução da frequência cardíaca.

Quais outros medicamentos podem causar bradicardia?

Outros medicamentos que podem causar bradicardia incluem outros betabloqueadores, bloqueadores de canal de cálcio não diidropiridínicos (verapamil, diltiazem), digoxina, amiodarona e alguns antiarrítmicos.

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